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Luaty Beirão na homenagem a Lima Barreto, precursor do modernismo brasileiro, em Paraty

Logótipo de O Jogo O Jogo 22/07/2017 Administrator

A 15.ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) vai homenagear Lima Barreto, "o escritor pobre, negro e anarquista", precursor do modernismo brasileiro, com encenações, concertos e conversas que contam, entre outros, com o ativista Luaty Beirão.

A festa, que decorre de 26 a 30 de julho, abre com uma aula ilustrada sobre a vida e obra de Lima Barreto (1881-1922), "com leituras e imagens inéditas de uma nova biografia", baseada numa investigação da antropóloga Lilia Schwarcz, com interpretação do ator Lázaro Ramos e encenação de Felipe Hirsch.

O pianista, arranjador e compositor André Mehmari apresentará depois uma suite inédita inspirada numa das mais conhecidas criações de Lima Barreto, a personagem titular de "O triste fim de Policarpo Quaresma", assim como na época em que o escritor viveu.

"As temáticas estão ligadas, sobretudo, a questões de mestiçagem e da identidade do Brasil. Isso tudo em contraste com informações e músicas da Europa. Diria que o tema da suite é o piano brasileiro, um instrumento europeu tocando uma música mestiça", sublinha Mehmari, no programa da festa.

"Arqueologia de um autor", no dia 27, vai pôr os professores de literatura Beatriz Resende, Edimilson de Almeida Pereira e Felipe Botelho Corrêa a definir "o lugar de Lima Barreto entre os clássicos e no cânone afro-brasileiro".

No dia 28, também a mesa "Moderno Antes dos Modernistas" vai ser dedicada à discussão da "singularidade da linguagem de Lima Barreto" e dos "autores que foram seus contemporâneos e autores posteriores que influenciou", com a participação do professor e historiador de literatura Antonio Arnoni Prado e da escritora brasileira Luciana Hidalgo.

Também o ativista angolano Luaty Beirão marca presença nesta edição da FLIP, no dia 29, para uma conversa sobre ativismo e literatura, "ao gosto de Lima Barreto", com Maria Valéria Rezende, escritora brasileira que, "entre indas e vindas ao exterior, se dedicou à educação popular no sertão durante a ditadura".

O diário de prisão do 'rapper', "Sou eu então mais livre, então", escrito durante o tempo em que esteve detido, em Angola, de junho de 2015 a junho de 2016, e a coletânea de rimas dos seus 'raps', "Kanguei no Maiki" - expressão angolana para "agarrei o microfone" -, serão apresentados em Paraty.

O escritor, professor e tradutor português Frederico Lourenço, Prémio Pessoa 2016, cujo primeiro volume da tradução da Bíblia Grega foi lançado recentemente no Brasil, e que está prestes a editar "Livro aberto: Leituras da Bíblia", no país, participa numa conversa com o brasileiro Guilherme Gontijo Flores, poeta e tradutor, no dia 27, em que se traça "uma breve história das ideias e dos sentimentos do Ocidente".

No mesmo dia, estará igualmente na FLIP a escritora Djaimilia Pereira de Almeida, investigadora da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, que leva o seu romance de estreia, "Esse cabelo", obra de raiz autobiográfica, entre a ficção e o ensaio, centrada numa rapariga de origem africana, e que participará num encontro, com as autoras Natália Borges Polesso e Carol Rodrigues, sobre a influências, técnicas e experiências de escrita.

A jornalista Joana Gorjão Henriques, que publica no Brasil o seu livro "Racismo em Português", participará num encontro com Lázaro Ramos, no dia 28, sobre identidades e as relações de cor nos países da lusofonia.

A escritora Conceição Evaristo, autora de "Insubmissas lágrimas de mulheres", vista como "guardiã da memória negra", nas atuais letras do Brasil, presta um tributo a outras vozes femininas africanas e da diáspora negra, como Angela Davis, Audre Lorde, Carolina de Jesus, Josefina Herrera, Nina Simone, Noémia de Sousa, Odete Semedo, Paulina Chiziane e Toni Morrison. A homenagem realizar-se-á no último dia, 30 de julho.

A cineasta brasileira Yasmin Thayná, que dirigiu "Kbela, o filme", sobre ser mulher e tornar-se negra, também participa na FLIP, em vésperas do lançamento do seu livro "Cartas a meu pai branco".

Entre os convidados da 15.ª edição da FLIP estão ainda os escritores Marlon James, jamaicano, autor de "Breve história de sete assassinatos", livro pelo qual ganhou o Man Booker Prize 2015, e o norte-americano Paul Beatty, vencedor do mesmo prémio, em 2016, com "The Sellout", que se juntam, no sábado, dia 29, para uma discussão sobre a renovação da tradição literária americana, a partir dos seus pontos de vista de jamaicano imigrado nos Estados Unidos e de americano negro.

A chilena Diamela Eltit, cofundadora do grupo de vanguarda Colectivo de Acciones de Arte, e a ruandesa Scholastique Mukasonga, definida como "uma das principais vozes africanas", pela organização, são outras participantes na FLIP.

A reconstrução do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, destruído por um incêndio no final de 2015, também será assinalada na Casa da Cultura de Paraty, com uma exposição que recupera extratos do áudio original do Museu, com curadoria de Arthur Nestrovski e José Miguel Wisnik. A exposição fica aberta ao público, no Salão Nobre, até 27 de agosto.

A FLIP conta ainda com a Casa Amado e Saramago, uma parceria da Fundação José Saramago com a Fundação Jorge Amado, com programação à parte.

A curadoria desta edição está a cargo de Joselia Aguiar, jornalista dos jornais Folha de São Paulo e Valor Económico que disse, em comunicado aquando o anúncio do nome, ter por objetivo "levar à festa literária a diversidade de autores, géneros e temáticas que melhor representam a literatura contemporânea mundial e as questões do Brasil e do mundo de hoje".

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