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"Mãe, não gastes mais dinheiro porque vou voltar para casa"

Logótipo de O Jogo O Jogo 17/07/2017 Alcides Freire

O JOGO conta-lhe a história de Acuña, um rapaz tímido que superou várias dificuldades, entre negas dos principais clubes da Argentina e assaltos sofridos, até singrar em Avellaneda e mudar-se para o Sporting

"Mãe, não gastes mais dinheiro porque eu vou voltar para casa. Não quero tentar mais." Há menos de dez anos, em 2008, Acuña estava cansado de desilusões. Tinha passado muitas horas a viajar desde Zapala, cidade do interior do país situada junto à fronteira com o Chile, rumo a Buenos Aires para alimentar o sonho de trilhar uma carreira no futebol. Porém, só acumulava frustrações e a lista de clubes que lhe fecharam as portas parecia interminável: River, Boca, San Lorenzo, Tigre, Quilmes e Argentinos Juniors. Contudo, a sua mãe não o deixou baixar os braços e insistiu: "Vai a mais um teste e pode ser que tenhas sorte. Não desistas daquilo que mais gostas de fazer." O conselho foi sábio. Aos 17 anos, "Marquitos" convenceu os técnicos do Ferro a contratá-lo, mas a vontade de arrumar as botas não desapareceu por completo.

Tímido e pouco falador, Acuña passou por dificuldades para se adaptar à nova realidade. Tinha passado de uma cidade tranquila, com cerca de 30 mil habitantes, para a superpovoada Buenos Aires, sem amigos ou familiares que lhe pudessem dar apoio. Na altura, o jogador morava num quarto no bairro de Floresta, perto do estádio do Ferro, mas longe de Pontevedra, local onde treinavam as camadas jovens do clube. Nessa viagem, foi assaltado uma, duas, três vezes. À terceira roubaram-lhe todo o dinheiro que tinha e quis deixar tudo para regressar a Zapala. Contudo, foi novamente a sua mãe a transmitir-lhe a força necessária para não abdicar do sonho de se tornar futebolista, que conseguiu alcançar. Profissional e perseverante desde o primeira dia, o "Huevo" foi, aos poucos, ganhando lugar no Ferro. Fruto desse progresso, o técnico José María Bianco estreou-o na equipa principal em 2009/10, numa altura em que já vivia, com mais segurança, na pensão do clube.

Acuña, reforço do Sporting © Álvaro Isidoro / Global Imagens Acuña, reforço do Sporting

"Sempre joguei pela esquerda. Diziam-me que era bom, mas eu não acreditava. Só corria e chutava a bola; mais que isso não fazia", revelou Acuña na sua primeira entrevista, algo que o continua a incomodar, já que não gosta muito de falar. A sua raça e potência física fizeram-no sobressair na II divisão e, três anos atrás, o Racing ganhou a corrida pela sua contratação ao comprar 50% do passe de Acuña ao Ferro. Nos primeiros seis meses alternou entre o banco e a equipa titular, mas participou em quase todos os jogos do campeonato que o clube de Avellaneda acabou por vencer, encerrando um jejum de 13 anos sem o título, e virou um amuleto da formação conhecida como La Academia. A partir daí, o Huevo iniciou um trajeto ascendente que o levou ate à seleção, primeiro com Bauza e agora com Sampaoli, que o considera um dos rostos da renovação da equipa.

Longe parecem estar os tempos em que dormia na casa da avó Leonor, situada a 200 metros do Olimpo, o seu primeiro clube em Zapala, uma cidade onde tem de se lutar contra as rajadas de vento para dominar uma bola e onde tinham início as "intermináveis" viagens até Buenos Aires. Hoje, aos 25 anos e casado com María Julia, com quem tem dois filhos (Mora e Benjamín), já não pensa em desistir e confiança não lhe falta. "Sou forte na marcação, chego com perigo à área contrária, cruzo com qualidade e costumo fazer muitas assistências. Só tenho de melhorar o meu pé direito", revelou na sua última entrevista, em jeito de apresentação aos adeptos do Sporting.

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