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México/Sismo: Multidão de voluntários faz regressar a solidariedade de 1985

Logótipo de O Jogo O Jogo 21/09/2017 Administrator

Uma multidão de voluntários apressou-se a cavar escombros, levar alimentos, formar cadeias humanas compactas para distribuir água, comida e remédios após o terremoto de terça-feira na Cidade do México, que fez mais de 200 mortos.

Esta forte mobilização dos mexicanos após o terramoto de 7,1 na escala de Richter que abalou o país lembra a de 1985, quando um poderoso sismo matou mais de 10.000 pessoas.

Diante da inação do governo, na altura, os mexicanos não tiveram outra escolha senão organizar-se, marcando um ponto de viragem na história do país.

Na terça-feira, os habitantes da capital reproduziram a cena, desta vez a par com as autoridades. Milhares foram testemunhar a extensão dos danos, agarrando carros para carregar materiais ou ajuda humanitária, unindo forças em busca de sobreviventes.

Nos escombros da escola primária de Enrique Rebsamen, onde 21 crianças morreram, um voluntário civil sem preparação tornou-se, na quarta-feira, a peça central do resgate de uma pequena garota presa por mais de 24 horas sob os escombros do edifício.

Por causa do seu pequeno tamanho, este voluntário conseguiu atravessar os detritos e estabelecer contato com essa aluna, passando-lhe água.

Milhares de pessoas, incluindo estudantes, oferecem-se para inspecionar edifícios danificados, escavar, receber feridos ou fornecer ajuda psicológica.

E o burburinho só para quando os oficiais e os voluntários juntam os punhos: é o sinal que se deve fazer silêncio para tentar ouvir qualquer pedido de ajuda dos sobreviventes.

A solidariedade é tal que no terreno e nos meios de comunicação a população é chamada a deixar de enviar alimentos perecíveis. Até os voluntários já têm de passar um processo de seleção.

"A comida vai-se estragar, já não precisamos de água, fizemos uma lista dos equipamentos médicos e pessoais de que precisamos", exorta um militar, na frente de uma multidão determinada a participar nas operações de resgate ou de segurança dos locais enfraquecidos pelo abalo de terça-feira.

"Não posso deixá-lo passar sem capacete!", disse um chefe de proteção civil a um jovem voluntário trajado como socorrista. Mas o jovem seguinte consegue obter um e seguir para os escombros.

Perto, uma mulher dá sanduiches aos voluntários, enquanto outros dão água. Num restaurante fechado, os funcionários preparam refeições que distribuirão gratuitamente às famílias que não podem regressar às suas casas.

Nas ruas, os que participam nas operações de resgate seguem cobertos de poeira, equipados com coletes, picaretas ou pás.

"Cantar e não chorar", afirma um grupo de voluntários, retomando o refrão de uma popular música mexicana: "Cielito lindo".

Uma família coloca na rua cartazes com a frase "Obrigado pela sua ajuda", enquanto outros agitam a bandeira do México.

Geralmente muito crítica dos militares, empenhados na luta contra o tráfico de drogas no país e acusados de numerosos abusos, a população parece apreciar o papel do exército nas operações de resgate em curso.

Em 1985, o Estado falhou. O presidente Miguel de la Madrid permaneceu 'invisível' por horas e as pessoas sentiram-se abandonadas.

Nas ruínas da cidade, formou-se uma sociedade civil organizada que lançou os alicerces da proteção civil mexicana.

Os homens que atravessaram fendas estreitas para encontrar sobreviventes, deram origem aos "Topos", uma brigada especializada que viajou por todo o mundo ao ritmo das catástrofes.

Desde terça-feira, na Cidade do México, os voluntários juntaram suas ligações: "Compartilhe sua internet no seu computador portátil, remova a senha para que as pessoas presas sob os escombros se possam ligar!", exortam moradores junto aos edifícios colapsados.

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