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Macau/Eleições: Jovem democrata diz-se "racional e não radical"

Logótipo de O Jogo O Jogo 28/09/2017 Administrator

O mais novo membro da Assembleia Legislativa de Macau, o democrata Sulu Sou, disse estar disposto a cooperar com a bancada tradicional e garantiu que será um deputado "racional e não radical", demarcando-se dos independentistas de Hong Kong.

"Vou usar o tempo para provar que sou racional, não sou radical", disse, em entrevista à Lusa, a poucas semanas de ocupar o seu assento no hemiciclo.

Aos 26 anos, Sulu Sou é o mais jovem deputado a entrar para a Assembleia Legislativa (AL) de Macau, e apesar de fazer parte de uma faixa etária mais próxima dos ativistas de Hong Kong, garantiu não ser 'localista', um termo aplicado aos que defendem a região por oposição à China e uma maior autonomia, e muito menos independentista.

"Sou democrata", afirmou o membro da Novo Macau (ANM), a maior associação pró-democracia da cidade.

"Estou aberto a [cooperar] não só com o campo progressista como com o pró-sistema (...) Se acreditarmos nas mesmas coisas num determinado assunto, estou aberto", disse.

Os deputados na AL são escolhidos pelo executivo local, por organizações representativas da sociedade e pelos eleitores, que votam apenas numa parte da sua composição.

No final, a AL fica composta por um jogo de forças entre associações, tanto da ala tradicional (Operários, Moradores, Associação das Mulheres, grupos oriundos de regiões da China, etc.), como empresarial (jogo, setor imobiliário, etc.), e de forças que se apresentam como mais progressistas, como os democratas. As associações tradicionais e as ligadas ao setor empresarial são comummente apelidadas de pró-sistema ou pró-governo.

Sulu Sou afirmou estar otimista quanto à possibilidade de cooperação depois de uma "boa experiência" este ano, quando a ANM contactou alguns deputados pró-sistema "para os convencer" sobre um artigo da lei eleitoral, em revisão na altura, que proibia a exibição de cartazes na AL. O artigo viria depois a cair.

"Os deputados [pró-sistema] mais jovens comunicaram connosco e aceitaram os motivos da ANM, e acabaram por expressar oposição a esta mudança", recordou.

Entre as prioridades do seu mandato, Sulu Sou destacou a criação de uma comissão dentro da AL para investigar o tufão Hato, que matou dez pessoas, feriu mais de 240 e causou danos avultados à cidade por onde passou a 23 de agosto.

Ainda que o caso já esteja a ser investigado pelo Comissariado contra a Corrupção e por uma comissão de inquérito, o jovem considerou que "a AL tem responsabilidade de fazer isso, convidar especialistas e responsáveis para se explicarem", para assim se "encontrarem os responsáveis e os motivos, de modo a que não volte a acontecer".

Apesar de a ANM representar uma fatia mais progressista da sociedade, tendo defendido os direitos dos homossexuais, abraçado causas ambientais e defendido a preservação do património, os dois deputados veteranos que a representavam, Au Kam San e Ng Kuok Cheong, que entretanto se afastaram da associação, são vistos como conservadores no que toca a uma das questões mais polémicas da política de Macau: a importação de trabalhadores.

Macau tem uma taxa de desemprego de 2% e falta de mão-de-obra em muitos setores, mas grande parte da população opõe-se à contratação de trabalhadores de fora.

"Esta é uma questão sensível em Macau. Não nos opomos aos trabalhadores estrangeiros, eles dão o seu contributo a Macau, [mas] observo que o Governo apoia as grandes indústrias, a indústria do jogo, que deixa que se contratem muitos trabalhadores migrantes", afirmou.

Para Sulu Sou trata-se de uma questão de espaço: "A cidade é muito pequena. Deve haver uma quota tanto para os trabalhadores migrantes como para os turistas. As mudanças são demasiado rápidas para que as consigamos assimilar. Queremos controlar a escala do desenvolvimento".

Essa quota, defendeu, deve ser implementada a par de um aumento dos direitos dos trabalhadores não residentes "para que tenham rendimentos razoáveis e proteções", incluindo através do salário mínimo e de associações para defesa dos seus direitos laborais.

Sulu Sou disse mesmo que, após ser eleito, a 17 de setembro, foi abordado por alguns filipinos, uma das maiores comunidades estrangeiras em Macau. 'Feeback' positivo chegou-lhe também de alguns portugueses.

Sulu Sou admitiu que tem dificuldades na comunicação com a comunidade portuguesa. "É a minha fraqueza. O meu domínio de línguas estrangeiras não é muito bom. Não consigo falar bem com os portugueses, mas eles conhecem-me através dos jornais. Acho que os portugueses conhecem bem as questões sociais de Macau porque os 'media' em português e inglês são mais livres que os chineses", rematou.

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