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Macau/Eleições: Língua e acusações de populismo em destaque no único debate em português

Logótipo de O Jogo O Jogo 14/09/2017 Administrator

A "maltratada" língua portuguesa esteve em destaque no único debate em português durante a campanha legislativa de Macau, transmitido hoje, en que, numa troca de acusações, Jorge Neto Valente criticou a candidatura de Pereira Coutinho às eleições portuguesas em 2015.

Os candidatos lusodescendentes foram os únicos a responder ao apelo da emissora pública TDM para participar num debate em português, antes da eleição, no domingo, de 26 deputados, do total de 33 que compõem a Assembleia Legislativa (AL).

Destes, 14 são eleitos diretamente pela população, 12 por via indireta (associações) e sete são nomeados pelo chefe do Executivo.

Jorge Neto Valente, número três da lista Aliança Pr'a Mudança, da já deputada Melinda Chan, apontou o dedo a José Pereira Coutinho, também deputado e conselheiro das comunidades, por em 2015 ter sido candidato à Assembleia da República (AR) portuguesa pelo círculo fora da Europa.

"Acho que (...) foi populismo barato. Por que outra razão iria para lá? Você até declarou que não iria ser deputado lá, se fosse eleito ia dar lugar ao segundo da lista", disse o filho do presidente da Associação dos Advogados de Macau.

Coutinho foi o único deputado, pós-1999, a concorrer a eleições em Portugal. Apesar de não ter sido eleito, a candidatura fez o Governo de Macau alterar a lei eleitoral, proibindo expressamente os deputados de assumirem cargos políticos noutros países.

Perante a crítica, o macaense frisou que, quando o fez, tal era legal e foi até "uma grande honra e satisfação".

"Não é todos os dias que uma pessoa tem a oportunidade de concorrer às eleições do seu país, que é Portugal", disse.

Valente ripostou: "Na altura não era ilegal, agora já é. Mudaram a lei por sua causa. Se fosse a si não ficava gabado porque não é bonito. Acha que está certo, eticamente?".

Coutinho acusou ainda "a comissão nacional de eleições [de Portugal]" de enviar "os boletins de voto, de uma forma propositada, muito tardiamente" o que o prejudicou.

"Caso contrario eu estaria na História de Portugal", afirmou.

Tanto Coutinho como Valente criticaram a situação da língua portuguesa em Macau, um dos idiomas oficiais, a par do chinês.

Das 24 listas ao sufrágio direto, "20 nem sequer têm programa político em português e isso é um desrespeito total (...) pelos falantes de língua portuguesa", criticou Valente que, questionado sobre o primeiro projeto de lei que apresentaria caso fosse eleito, destacou a "obrigatoriedade de [ensinar] as duas línguas [português e chinês] em todas as escolas".

Já sobre a possibilidade de o chefe do Executivo nomear um deputado macaense, Valente foi menos entusiasta: "O facto de ser nomeado um macaense ou português, claro que é bom, mas com que base é que vamos defender isso? Temos de saber porquê".

Por seu lado, Coutinho, que lidera a lista Nova Esperança (e é o único português cabeça de lista), criticou os funcionários que nos serviços públicos "não falam nada" do idioma e as sinalizações "estão todas erradas".

"O mais grave é que a língua portuguesa está a ser maltratada, há falta de 200 intérpretes, as minhas intervenções na AL demoram meses a ser traduzidas", queixou-se.

Sobre a composição da AL no futuro, Coutinho disse ser a favor de 32 deputados eleitos pela população e apenas um nomeado ou eleito por via indireta. Já sobre a eleição do líder do Governo, escolhido por 400 pessoas, gostaria "que fosse pela maioria da população de Macau, mas vamos ter de esperar".

Valente defendeu um aumento "passo a passo do colégio eleitoral".

O sufrágio universal para o chefe do Executivo muito a longo prazo talvez faça sentido, mas vamos falar de coisas mais práticas: o que é que conseguimos fazer em quatro anos, em oito anos? Isso é o que vai afetar mais a população. Estarmos a falar de ideais não serve de muita coisa", disse.

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