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Macau/Tufão: António Cambeta testemunha tempestades há 50 anos e nunca viu nada assim

Logótipo de O Jogo O Jogo 30/08/2017 Administrator

Em terra ou no mar, o português António Cambeta testemunhou centenas de tempestades tropicais desde que desembarcou em Macau há mais de meio século, mas nunca viu "devastação tão grande" como a deixada, há uma semana, pelo tufão Hato.

"Nunca vi [nada assim]. Eu moro na Av. da Praia Grande, num 11.º andar, e a minha varanda e dois quartos ficaram inundados. Nunca tinha visto uma devastação tão grande como esta", recordou à agência Lusa, António Cambeta, que em Macau esteve, entre outros, aos comandos de uma lancha da polícia marítima.

O português de 73 anos desembarcou na ilha da Taipa (Macau) a 21 de setembro de 1964, depois de uma viagem de 45 dias de navio.

O então sargento miliciano pisou o território duas semanas depois de o tufão Ruby ter passado com rajadas máximas de 211 quilómetros horários, uma velocidade apenas equiparada à do Hato -- 53 anos mais tarde --, com rajadas de mais de 200 quilómetros por hora.

"A pior experiência que tive foi [o Ruby], quando cheguei em 1964. Foi o primeiro tufão. Quando cheguei ao quartel da Taipa, aquilo estava tudo devastado", afirmou.

"Foi a vacina para me habituar a este tempo em Macau", sublinhou.

O português navegava a bordo do Índia no dia em que o Ruby passou por Macau [05 de setembro], mas sentiu o efeito da tempestade em alto mar: "Tivemos de mudar a trajetória do navio (...), e quando desembarcámos, vindos de Hong Kong, fui para a Taipa, e aquilo estava tudo destruído".

António Cambeta contou que chegou à então pequena vila com cerca de uma dezena de militares portugueses.

"Não fomos chamados para limpar os destroços porque não tínhamos meios nenhuns. Não tínhamos nada, nem comida. Tivemos de pedir a um comerciante da Taipa para nos dar batatas e mais algumas coisas. E foi assim que passámos quase uma semana, no início", recordou.

Entre várias tempestades, lembrou o Rose (1971), que em Macau provocou ligeiros prejuízos materiais e em Hong Kong afundou o navio Fat Shan, ao largo da ilha de Lantau.

Tinha acabado de chegar com a mulher a Hong Kong, quando percebeu que já estava içado um sinal fraco de tufão, o que fez o casal regressar de imediato ao antigo enclave português.

"No dia seguinte, o Fat Shan foi ao fundo. Foi a última vez que andámos nele", recordou.

Cambeta disse ter vivido vários tufões de sinal número 10 dentro de água. Já a pior experiência de mau-tempo que viveu em terra -- até à passagem do Hato --, foi o Ellen (1983), que matou mais de uma dezena de pessoas em Macau.

Estava no posto da doca do Lamau, no bairro do Fai Chi Kei, quando esse tufão deixou um rasto de destruição até à Ilha Verde, uma zona adjacente no norte da península de Macau.

Um total de 18 mortos foi então reportado pela imprensa local à passagem do Ellen, a maioria devido a naufrágios na zona baixa do Porto Interior.

"Tenho a impressão que até foram mais [mortos], porque eu vi uma embarcação de pesca que estava fundeada no Fai Chi Kei (...) e os tripulantes morreram todos. Só nessa embarcação eram 12 ou 13, salvo erro", afirmou.

No início dos anos 1980, Macau era um território com 277 mil habitantes, menos de metade da população atual, e eram raras as construções em altura, ao contrário de hoje em dia, em que é comum uma torre de habitação ter mais de 30 pisos.

Na semana passada, o Hato causou mais de 800 incidentes, incluindo inundações, quedas de árvores, e janelas partidas, muitas das quais em arranha-céus de construção recente.

"Antigamente muitas zonas de Macau eram [só] barracas e, quando passava um tufão, a destruição era enorme. Hoje em dia, com estes prédios todos, há destruição, como aconteceu com este tufão [Hato], mas é totalmente diferente", afirmou.

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