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Macau/Tufão: Associação de jornalistas denuncia instruções aos media para cobertura positiva

Logótipo de O Jogo O Jogo 31/08/2017 Administrator

Uma associação de jornalistas de Macau, na maioria chineses, recebeu denúncias de que cinco meios de comunicação instruíram os repórteres para apresentarem uma cobertura positiva do trabalho das autoridades, na sequência da passagem do tufão Hato.

Fonte da Associação de Jornalistas de Macau (AJM) disse hoje à Lusa que estas instruções chegaram em diferentes graus de intensidade, vindas das chefias, a pelo menos cinco meios de comunicação, que não identificou.

"Nalguns 'media' foi muito direto, disseram que não podiam criticar o chefe do executivo ou os trabalhos de recuperação. Noutros foi mais suave, o editor tentou persuadir os jornalistas a serem mais harmoniosos" na cobertura, disse, apontando como exemplo pedidos de entrevistas a "pessoas pró-sistema" ou a voluntários "sobre o seu bom trabalho".

"Outra instrução foi de que a proporção de peças positivas aumentasse", acrescentou a mesma fonte, que pediu para não ser identificada.

Num comunicado em chinês, divulgado na terça-feira, a AJM indicou, de acordo com as denúncias feitas, ter sido pedido aos jornalistas para fazerem trabalhos que incidissem "mais sobre pessoas boas e boas ações, espalhando ativamente energia positiva pela sociedade, e diminuindo [as notícias] que responsabilizam o Governo, especialmente os cargos mais elevados".

A AJM condenou esta tentativa de "enganar o público e distorcer a profissão de jornalista".

A associação disse acreditar que estas orientações tenham vindo do Governo, "porque instruções semelhantes surgiram antes", por exemplo, em polémicas que envolveram a Fundação Macau.

Confrontado com esta questão hoje, durante uma conferência de imprensa, o porta-voz do Governo, Victor Chan, afirmou que o executivo não interfere nos órgãos de comunicação social (OCS).

"Apenas prestamos apoio. Quanto ao seu funcionamento [dos OCS] não temos conhecimento, não temos interferido nem conhecemos", disse.

Nos dias seguintes à passagem do tufão Hato, a 23 de agosto, a cobertura noticiosa focou-se em vários problemas, desde o 'timing' dos alertas emitidos pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, à lentidão dos trabalhos de resposta.

Segundo a fonte da associação, o Governo "estava ocupado com os trabalhos de recuperação e não teve tempo para controlar os 'media'. Mas após o segundo tufão ficaram preocupados que a fúria dos cidadãos fosse prejudicar Chui Sai On [chefe do executivo], por isso tentaram dar instruções".

"Sabemos que os recursos são limitados, e se dão prioridade às histórias positivas, há menos espaço para as negativas. Estamos preocupados com a autocensura, há muitos jornalistas jovens que têm menos experiência e é mais provável que sigam as ordens dos editores", comentou a mesma fonte.

Depois de pelo menos um jornal chinês publicar um editorial dizendo que não recebeu qualquer instrução, a AJM frisou que não pretende passar a mensagem de que todos foram alvo de tal pressão. "Mas [achamos que] há provas suficientes que alguém quer controlar a opinião pública", sublinhou.

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