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Macau/Tufão: Comissariado Contra a Corrupção aponta "arbitrariedade" nas decisões da Meteorologia

Logótipo de O Jogo O Jogo 19/10/2017 Administrator

Um relatório do organismo anticorrupção de Macau divulgado hoje aponta "procedimentos irregulares", "elevado grau de arbitrariedade" e "decisões fruto do juízo pessoal do ex-diretor" dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), que monitorizou o pior tufão dos últimos 53 anos.

O Hato causou dez mortos e mais de 240 feridos em Macau em 23 de agosto.

"O problema mais grave é a alta concentração do poder decisório, com procedimentos irregulares e critérios não transparentes, bem como um grau considerável de arbitrariedade, pelo qual a direção destes serviços assume as principais responsabilidades, às quais não se pode esquivar", refere o Comissário Contra a Corrupção (CCAC).

Para o CCAC, "a previsão de tufões e a tomada de decisões relativa ao içar dos sinais de tufão dependia do juízo e decisão pessoal do ex-diretor dos SMG, sem qualquer discussão prévia nem revisão posterior". Além disso, o organismo aponta "a falta um mecanismo de consulta interna".

O relatório do CCAC é o resultado de uma investigação aberta a 28 de agosto, para "determinar responsabilidades a assumir, no âmbito dos procedimentos de previsão de tufões e da gestão interna por parte do ex-diretor do SMG".

A escala de alerta de tempestades tropicais é formada pelos sinais 1, 3, 8, 9 e 10, hasteados tendo em conta a proximidade da tempestade e a intensidade dos ventos.

Fong Soi Kun -- que apresentou a demissão um dia depois do tufão Hato -- tinha estado debaixo de fogo devido ao hastear dos sinais de tempestade tropical há um ano, por ocasião da passagem do tufão Nida, altura em que os SMG içaram apenas o 3, tendo sido criticados por não terem elevado o alerta para 8.

Na sequência da investigação, "o CCAC descobriu que, quando um determinado tufão se aproximava, fora do horário de expediente, o ex-diretor dos SMG não permanecia nem regressava aos serviços, limitando-se à consulta dos dados e das informações do respetivo tufão na Intranet daqueles serviços através da ligação daquela rede a sua casa".

"De seguida, comunicava com a subdiretora [Leong Ka Cheng] pelo telefone", e quando precisava de tomar uma decisão para içar o sinal 3 ou mesmo o 8 de tufão, "o ex-diretor emitia a respetiva ordem aos meteorologistas através do telefone".

O relatório também refere que Fong Soi Kun não participava no 'briefing' diário e que, no dia anterior à passagem do tufão, a subdiretora "já tinha formulado uma conclusão relativamente ao Hato", comunicando aos participantes que "era necessário discutir apenas a previsão meteorológica da semana a seguir", o que fez com que a reunião tivesse demorado apenas "cinco minutos".

Fong Soi Kun disse no depoimento ao CCAC que "regressou às instalações dos SMG" na madrugada de 23 de agosto, no dia da passagem do Hato, mas o organismo anticorrupção observou que o dirigente foi diretamente para o seu gabinete "sem passar pelo Centro de Vigilância Meteorológica para se informar da situação e trocar opiniões com os meteorologistas operacionais da linha da frente".

"A falta de consulta prévia e de qualquer revisão posterior sobre as decisões tomadas" são para o CCAC uma "ideia autoritária e de desvalorização das opiniões dos seus colegas na gestão" e "um egotismo e uma arrogância profissional".

O CCAC escreve que não encontrou "nenhuma prova de qualquer violação de disposições legais das áreas relativas ou de procedimentos legalmente estabelecidos" por parte dos SMG, no que diz respeito ao tufão Hato nem ao Nida, registado em 2016, nem que essas decisões tenham sido influenciadas por fatores externos.

No entanto, diz ter verificado "a necessidade, muito urgente, de aperfeiçoamento dos procedimentos internos e das instruções no âmbito da previsão dos tufões" por parte da meteorologia.

Além disso, "constatou também a necessidade urgente" de realizar melhorias na gestão dos recursos humanos, equipamentos e instalações.

Para o CCAC, "o processo de tomada de decisão relativa à previsão de tufões não é público, nem transparente, existindo mesmo interpretações diversas relativamente ao mesmo, variando de pessoa para pessoa sem que o público tenha o mínimo conhecimento relativamente aos fundamentos e fatores de ponderação relativamente ao içar dos sinais de tufão".

"Após a passagem de tufões, e perante as dúvidas levantadas pelo público relativamente às previsões, a direção dos SMG nunca apresentou nenhuma explicação pormenorizada nem assumiu as devidas responsabilidades", refere o documento.

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