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Macau/Tufão: Segunda tempestade dificulta tarefa de salvar o que a primeira destruiu

Logótipo de O Jogo O Jogo 27/08/2017 Administrator

Em Macau, depois do tufão Hato, o tempo é de reparar janelas, limpar ruas, salvar negócios e casas, mas as chuvas intensas trazidas por uma segunda tempestade, apenas quatro dias depois, dificultam os esforços de populares e voluntários.

O tufão Pakhar foi mais brando que o Hato -- o mais forte em 50 anos e que matou dez pessoas --, mas nem por isso deixou de trazer enxurradas de chuva que representam uma ameaça para a zona baixa do Porto Interior, onde os estragos foram maiores.

As chuvas deixadas pelo afastar do segundo tufão alagavam esta tarde o que começava, antes, a secar. Vários negócios daquela zona, que ficam nos pisos térreos dos prédios, já tinham luz, o que permitia observar cenários desoladores: lama, lixo, pertences desirmanados em cima de mesas -- um copo aqui, uma luva ali, um sapato acolá.

Tradicionalmente, estas lojas, em vez de terem uma porta, são totalmente abertas para a rua, o que as torna mais expostas aos elementos. Ao longo da Rua Cinco de Outubro, pequenos comerciantes trabalhavam afincadamente para limpar o seu ganha-pão, numa luta entre a vassoura e a chuva.

À porta de um estabelecimento, um homem varria água para a rua enquanto a chuva caía, num aparente esforço inglório. De dentro da loja, a um degrau do chão, alguém empurrava água castanha em cascata. Mais abaixo, uma loja de vestuário tinha pilhas de roupa amontoada à porta, ensopada, possivelmente por estar irremediavelmente danificada.

Na mesma reta, as portas de vidro de um supermercado estavam barricadas com sacos de areia, um cenário comum em casos de calamidade, e na esquina da Travessa dos Ovos avistava-se um objeto inesperado: um barco de borracha no meio da rua.

Foi para esta zona que se deslocou hoje Guiomar Pedruco, juntamente com duas amigas. Fazem parte de um grupo de voluntários, com dezenas de pessoas, que nos últimos dias tem feito de tudo, desde distribuição de refeições e água em lares e prédios elevados, onde idosos ficaram 'presos' quando a eletricidade foi interrompida, a entrega de lanternas e trabalhos de limpeza das ruas.

O grupo funciona em rede. Quando alguém diz que é preciso realizar determinada tarefa num local, quem pode oferece-se. Foi assim que a macaense e as amigas, depois de distribuírem 50 refeições na Taipa, foram parar ao Porto Interior, num dia de chuva, ainda com sinal 3 de tufão içado.

'Vestiram' sacos do lixo para se protegerem da chuva, colocaram máscaras no rosto, devido ao intenso mau cheiro na zona, colocaram luvas e pegaram em vassouras e pás.

"A limpeza das ruas é muito importante, porque hoje houve mais um tufão, e depois quando vem o calor, com a chuva, começa a provocar doenças. Ontem estivemos na zona da Tung Sin Tong a limpar, mas as pessoas estavam constantemente a pôr o lixo cá fora. É preciso ser mais rápido a limpar. Há muitas ruas estreitas, pequenas, em que os camiões de lixo não conseguem entrar, precisávamos de levar esses lixos para ruas principais, para os camiões fazerem a recolha", explica à Lusa.

Na zona não faltam voluntários. Junto ao Largo do Pagode, Kou distribuía garrafas e sacos do lixo, uma iniciativa da empresa onde trabalha.

"Há muita gente à procura de água, especialmente nestas ruas", disse. Apesar de o Governo ter informado que o abastecimento de água foi reposto, Kou garante que naquela zona há muitos que não têm "água para beber, para cozinhar, para limpar". "Por isso damos-lhes", frisou.

Esta foi uma das zonas mais afetadas pelo tufão Hato, que passou por Macau na quarta-feira. "Temos pessoas que morreram aqui, no final desta rua, estamos tristes com isso", destacou.

O lixo é uma das principais preocupações, mas Kou destaca os muitos voluntários que ali se têm deslocado, "muita gente que não é do exército nem da polícia, apenas jovens, que vêm para aqui ajudar, não se importam de ficar sujos, de apanhar lixo".

Com o avançar da tarde, o tempo agravou-se e, pelas 18:30, era já difícil ver o final da rua através da cortina de chuva. A água subia pelos passeios e, apesar do vai-e-vem das vassouras, tornava-se claro que no Porto Interior tudo voltaria a inundar.

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