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Marcelo pediu a emigrante português no Luxemburgo "para não desistir" de ser burgomestre

Logótipo de O Jogo O Jogo 10/10/2017 Administrator

O emigrante português que ganhou eleições municipais no Luxemburgo no domingo mas recusou ser burgomestre disse à Lusa que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o tentou convencer a não desistir.

José Vaz do Rio contou à Lusa que Marcelo lhe ligou na segunda-feira, para lhe "dar os parabéns" pela vitória na pequena localidade de Bettendorf, um feito histórico para os portugueses no Luxemburgo.

Nessa altura, o Presidente da República tentou convencer o emigrante a não desistir do cargo.

"Disse-me para não desistir e para ter coragem", contou José Vaz do Rio à Lusa.

Apesar do apelo de Marcelo, o emigrante acabaria mesmo por anunciar hoje que renunciava ao cargo, um dia depois da conversa com o Presidente da República.

José Vaz do Rio assumiu o segundo lugar no executivo camarário, o de primeiro vereador, tendo a quarta classificada, a advogada Pascale Hansen, sido nomeada burgomestre, foi hoje anunciado em comunicado.

O emigrante de 61 anos, que tem dupla nacionalidade, disse à Lusa que a decisão "é para o bem da autarquia" e invocou "várias razões".

"Eu só tenho a quarta classe. É preciso sabermos ocupar o nosso lugar", afirmou o novo vereador, que também alegou dificuldades com o luxemburguês, a língua em que se desenrolam as reuniões do executivo camarário.

"Escrever luxemburguês seria um 'handicap' para mim, e em encontros com outros burgomestres ia ter dificuldades", disse. "Ia ser feio daqui a uns meses dizerem-me que não sou capaz e mandarem-me embora", acrescentou.

José Vaz do Rio garantiu à Lusa que tomou a decisão de "livre vontade", depois de se aconselhar com a família.

No domingo, José Vaz do Rio venceu as eleições municipais em Bettendorf, com 588 votos, deixando em terceiro lugar o anterior burgomestre, Albert Back, com 553 votos.

O emigrante já era conselheiro municipal em Bettendorf desde 2011, altura em que foi o quinto mais votado.

Nessa altura ainda só tinha o passaporte português, tendo obtido a nacionalidade luxemburguesa há um ano.

O emigrante estudou luxemburguês durante seis anos, nos cursos noturnos organizados pela autarquia.

"Compreendo cem por cento e falo 80%. Agora vou ter de treinar", afirmou à Lusa no domingo, pouco depois de ser eleito.

Natural de Raíz do Monte, Vila Pouca de Aguiar, o português chegou ao Luxemburgo em 1970 e está reformado há quatro anos, depois de ter trabalhado na fábrica de pneus da Goodyear.

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