Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

May "profundamente dececionada" com aumento de taxas sobre Bombardier nos EUA

Logótipo de O Jogo O Jogo 27/09/2017 Administrator

A primeira-ministra britânica disse hoje estar "profundamente dececionada" com a decisão dos EUA de imporem uma taxa de 220% às importações da companhia aeronáutica Bombardier e comprometeu-se a defender milhares de empregos na Irlanda do Norte.

"O Governo continuará a trabalhar com a companhia para proteger postos de trabalho vitais na Irlanda do Norte", disse a primeira-ministra britânica na sua conta no Twitter, a propósito da medida protecionista de Washington contra a empresa canadiana, que emprega mais de 4.000 pessoas nas suas instalações em Belfast.

O Departamento de Comércio norte-americano deu esta terça-feira luz verde para aumentar até quase 220% a tarifa sobre as importações de um novo modelo de avião de passageiros Bombardier, que concorre com a Boeing nos EUA.

A fabricante aeronáutico norte-americana tinha avisado que a empresa rival recebeu subsídios públicos de Londres e do governo regional do Quebec para conseguir um volumoso pedido dos Estados Unidos do seu novo modelo da Série-C.

No ano passado, a Delta, uma das mais importantes companhias aéreas dos EUA, aceitou comprar 75 dos novos aviões CS100 da Bombardier, com a opção de comprar mais 50, numa encomenda estimada em 5,6 mil milhões de dólares (4,77 mil milhões de euros).

A empresa argumenta que a Boeing nem sequer fabrica os aviões de cem lugares de que necessita para viagens curtas a médias.

A Bombardier considerou a decisão norte-americana "absurda" e acusou a Boeing de tentar sufocar a concorrência.

O executivo britânico já advertiu que esta medida pode acarretar consequências para a fabricante norte-americana.

O ministro britânico da Defesa, Michael Fallon, advertiu que a disputa comercial poderá ameaçar as ligações do Reino Unido à Boeing.

"Este não é o comportamento que esperamos da Boeing e isto poderia comprometer o nosso relacionamento futuro com a Boeing", disse Fallon, em Belfast.

"A Boeing é um importante parceiro da Defesa e um dos grandes vencedores da nossa mais recente revisão de contratos na Defesa, então esta não é a atitude que esperamos de um parceiro de longo prazo", acrescentou.

A fabricante norte-americana recebeu milhares de milhões de libras com contratos com o Reino Unido, tendo sido recentemente selecionada para fornecer novos aviões de reconhecimento marítimo e helicópteros Apache.

Não é expectável que Washington volte atrás na medida, depois de o secretário de Estado do Comércio norte-americano, Wilbur Ross, ter recordado que a administração de Donald Trump encara com muita seriedade a concessão de subsídios estatais a empresas estrangeiras.

Os sindicatos acusaram o executivo britânico de falhar na proteção dos trabalhadores.

O representante nacional do sindicato GMB (União Geral Britânica), Ross Murdoch, indicou que cerca de 14 mil empregos estão em perigo na Irlanda do Norte, incluindo os 9.400 que dependem indiretamente da produção da Bombardier, descrevendo a decisão como "uma martelada" para Belfast.

"Theresa May tem estado a dormir ao volante, quando poderia e deveria ter lutado para proteger estes trabalhadores", considerou Murdoch, acrescentando: "Já é altura de ela acordar".

O Partido Democrático Unionista (DUP, na sigla original), maioritário na Irlanda do Norte e parceiro do Governo de May, declarou-se "dececionado", mas ainda acredita que a situação seja revertida.

"O Série-C é um avião tremendamente inovador e chave para as operações da Bombardier em Belfast. É precisamente o seu caráter inovador que o distingue e não compete diretamente com a Boeing", considerou a líder do DUP, Arlene Foster.

O executivo autónomo da Irlanda do Norte e Londres acordaram investir quase 135 milhões de libras (quase 155 milhões de euros) para desenvolver este modelo na fábrica de Belfast, enquanto o Quebec injetou mil milhões de dólares (mais de 850 mil milhões de euros) na companhia em 2015, quando esta atravessava graves problemas económicos.

AdChoices
AdChoices

Mais de O Jogo

image beaconimage beaconimage beacon