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Milhares de pessoas fogem dos bairros curdos de Kirkuk, norte do Iraque

Logótipo de O Jogo O Jogo 16/10/2017 Administrator

Milhares de pessoas estavam hoje a deixar os bairros curdos de Kirkuk, norte do Iraque, em direção a Erbil e Souleimaniyeh, as principais cidades do Curdistão, região autónoma em conflito aberto com o poder central iraquiano.

Segundo o testemunho de um jornalista da agência noticiosa francesa France Presse (AFP), esta movimentação em massa está a provocar grandes engarrafamentos nas saídas daquela cidade petrolífera, atualmente administrada pelos curdos e que é um dos principais focos de discórdia entre Erbil (capital do Curdistão iraquiano) e o governo federal de Bagdad.

A mesma fonte relatou ter visto famílias inteiras dentro dos veículos.

"Dezenas de milhares de habitantes de Kirkuk, especialmente curdos, estão a sair da cidade em direção às estradas que levam a Souleimaniyeh e a Erbil", confirmou uma fonte das autoridades locais.

Durante a noite de domingo, as forças iraquianas lançaram uma ofensiva para recuperar uma base militar e campos petrolíferos naquela área disputada, informou o conselho de segurança curdo.

As autoridades curdas indicaram hoje que dez combatentes curdos, os 'peshmergas', morreram e outros 27 ficaram feridos durante combates noturnos entre as forças curdas e as unidades paramilitares xiitas de mobilização popular (Hachd al-Chaabi) na província de Kirkuk.

Sherzad Hassan, diretor-adjunto dos serviços de saúde da região de Jamjamal, forneceu este balanço com base em dados fornecidos pelos hospitais daquela zona específica.

De acordo com responsáveis curdos, dezenas de combatentes curdos estão desaparecidos e as várias vítimas mortais foram transferidas para diferentes hospitais.

"Decidimos partir de Kirkuk e ir para Souleimaniyeh porque temos medo dos confrontos", afirmou, em declarações à AFP, Chounem Qader, uma professora de 51 anos.

"Em 1991, já tínhamos fugido de Kirkuk, como agora", acrescentou a residente, numa referência à revolta curda de março de 1991 que acabaria por ser travada pelo regime do antigo líder iraquiano Saddam Hussein.

Na altura, o regime iraquiano deportou dezenas de milhares de curdos da região.

"Vivemos em paz, mas os políticos não nos querem bem, nem Bagdad nem Erbil. Eles estão a lutar pelo controlo do petróleo e as vítimas somos nós, os habitantes de Kirkuk", disse, por sua vez, Himen Chouani, de 65 anos, que estava a deixar a cidade com a família.

A relação entre Bagdad e Erbil degradou-se depois de o governo autónomo do Curdistão iraquiano ter realizado um referendo sobre a independência da região, não vinculativo e considerado ilegal pelo governo central.

Kirkuk foi incluída no referendo, apesar de não pertencer ao Curdistão.

A cidade, etnicamente diversa, é administrada pelos curdos desde 2014, quando o exército iraquiano fugiu ao avanço dos 'jihadistas' do grupo Estado Islâmico.

O Iraque exige agora recuperar o controlo da cidade e da província de Kirkuk, rica em petróleo.

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