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Ministro da Cultura lamenta morte de Listopad e recorda erudição e sentido de humor

Logótipo de O Jogo O Jogo 02/10/2017 Administrator

O ministro da Cultura "lamentou profundamente" hoje a morte do escritor, professor e encenador Jorge Listopad, de quem recorda a "vasta erudição" e o "sentido de humor muito subtil, com uma ironia por vezes desconcertante".

O escritor, professor e encenador checo Jorge Listopad, radicado há várias décadas em Portugal, morreu no domingo, aos 95 anos, em Lisboa.

"Jorge Listopad, que escolheu o nosso país para viver, foi um dos principais renovadores do Teatro em Portugal na segunda metade do século XX. Profundo conhecedor da dramaturgia portuguesa, Jorge Listopad encenou a maioria do repertório clássico português, destacando-se A Castro, de António Ferreira, ou o Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, entre muitas outras peças", refere o ministro Luís Filipe de Castro Mendes em comunicado hoje divulgado, no qual envia "sentidas condolências" à família de Listopad.

Luís Filipe de Castro Mendes refere ainda que, "além de uma vasta erudição, Jorge Listopad possuía um sentido de humor muito subtil, com uma ironia por vezes desconcertante".

"Dotado de uma notável consciência cénica, destacou-se também a dirigir atores, fazendo sobressair as suas melhores qualidades em cena", acrescenta a nota do responsável pela pasta da Cultura.

O ministro recorda que Jorge Listopad fundou a RTP-Porto e que dedicou grande parte do seu trabalho ao teatro em Portugal.

"A Cultura portuguesa reconhece-lhe essa dívida", lê-se no comunicado.

Poeta, cronista, encenador, Jorge Listopad nasceu em 1921, em Praga, onde se doutorou em Filosofia, mas vivia em Portugal desde a década de 1950, onde desenvolveu um prolífico percurso nas artes, da literatura ao teatro.

As mais recentes encenações do autor foram "A instalação do medo", em 2014, no Teatro Municipal São Luiz, e "Meu tio Jaguar", em 2012, no Teatro Nacional D. Maria II.

De acordo com a biografia disponível na página oficial do autor, Jorge Listopad perdeu a família durante a Segunda Guerra Mundial, perseguida pelo regime nazi de Hitler.

Chegou a pertencer à Resistência e viveu exilado em Paris, onde trabalhou, por exemplo, na Televisão Francesa.

Já em Portugal, viveu no Porto, onde foi um dos fundadores da RTP Porto e trabalhou como realizador de televisão. Mais tarde mudou-se para Lisboa para lecionar no Instituto Superior de Ciência Política.

Colaborou com vários jornais portugueses e checos, presidiu à Comissão Instaladora da Escola Superior de Teatro e Cinema, codirigiu o Teatro Nacional D. Maria II e, em 1981, fundou e dirigiu o Grupo de Teatro da Universidade Técnica de Lisboa.

Jorge Listopad, que faria 96 anos a 26 de novembro, encenou cerca de 60 peças de teatro e ópera e deixa cerca de 50 obras de prosa, poesia e ensaio, em checo, português e francês, nomeadamente "Remington", "Estreitamento progressivo", "O jardim fecha às 18:30" e "Fruta tocada por falta de jardineiro".

Em Portugal, Jorge Listopad teve um percurso premiado, nomeadamente pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro e pela Presidência da República, que lhe atribuiu o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Jorge Listopad foi ainda agraciado com a Medalha Militar Checoslovaca da Resistência (1945) e nomeado Companheiro do Marechal Tito (1946), tendo sido distinguido também com o Prémio da Academia de Artes e Ciências de Praga, pelo conjunto da sua obra.

De acordo com informações divulgadas na página oficial do autor no Facebook, o velório acontecerá a partir das 18:00 de quarta-feira na capela do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. O funeral, na quinta-feira, parte, às 14:45, para o cemitério dos Prazeres.

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