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Muçulmanos em Angola entre orações e lamentos sobre forma como ainda são encarados

Logótipo de O Jogo O Jogo 08/07/2017 Administrator

Angola tem cerca de 800.000 muçulmanos, entre nacionais e estrangeiros residentes, na sua maioria em Luanda, que cumprem diariamente com rigor os pilares do islamismo, por entre lamentações sobre a forma como são encarados no país.

O islamismo em Luanda ganha corpo com algumas mesquitas já edificadas, como a da comuna do Hoji-ya-Henda, no município do Cazenga, um dos mais populosos da capital angolana, construída há 12 anos e local de passagem obrigatória da comunidade muçulmana local.

"A religião muçulmana é boa e não há pessoas contrárias. Mas agora os nossos angolanos é que perseguem os nossos irmãos, mas os nossos irmãos não perseguem ninguém e ainda ajudam muito os angolanos", explicou à Lusa, junto à mesquita, João Pedro Mateus, de 68 anos e que professa o islão.

Apesar de algumas dificuldades nos últimos anos, inclusive alegadas perseguições, admite que a relação com os cristãos no país, maioritários, ainda é salutar.

"A nossa relação com os nossos irmãos cristãos é muito boa e os nossos irmãos continuam a ajudar muito várias pessoas", sublinhou, enquanto se prepara para a visita à mesquita.

Uma das cinco orações indispensáveis, segundo a fé islâmica, acontece quando o sol está mais alto, cerca das 13:00, mas muito antes a afluência ao local é notória, com a paralisação de qualquer atividade, no caso de Luanda sobretudo no comércio dominado maioritariamente por muçulmanos de países do oeste africano.

Como sinal de pureza e respeito ao templo, os crentes descalçam os sapatos à entrada e de seguida utilizam a água para purificar as partes do corpo que não estão cobertas, os pés, as mãos, os braços, a cara e a cabeça, antes da entrada na mesquita.

Minutos antes da aguardada oração de "Zhuhr", os fiéis, de pé, direcionados para Meca, iniciam a oração do "Salat", muitos acompanhados pelo Alcorão, o livro sagrado, maioritariamente homens e também algumas crianças.

Junto ao templo, o angolano Marcos de Oliveira Gonçalves, de 74 anos, manifesta-se indignado por outros compatriotas, afirma, maltratarem cidadãos que professem o islão no país.

"Eles não fazem mal a ninguém, os nossos conterrâneos são muito maus, maltratam os nossos irmãos, matam-nos, não os deixem dormir em paz e eles não fazem mal a ninguém. Até nós aqui choramos muito da forma que os nossos irmãos são maltratados", desabafa.

Números da comunidade islâmica em Angola apontam para a presença de 800.000 fiéis no país, sobretudo em Luanda e essencialmente nacionais ou oriundos de outros países africanos.

Há cinco anos na religião islâmica, Marcos de Oliveira Gonçalves, antigo praticante católico, conta que foi bem recebido no seio da comunidade muçulmana.

"Ainda este ano está calmo, mas nos anos anteriores os nossos irmãos eram constantemente maltratados", atirou, indignado com o que diz ser uma perseguição aos muçulmanos.

Por sua vez, o imã da Mesquita do Hoji-ya-Henda, Baré Abás, contou que o último período do Ramadão, em junho, decorreu normalmente: "Agradecemos a Deus porque conseguimos fazer o nosso jejum e festejamos na graça de Deus o Ramadão. Pedimos paz e união aqui em Angola".

Há 15 anos em Angola, este maliano recordou que o islamismo "obriga a respeitar qualquer pessoa", tendo manifestado crença de que a crise que o país acolhedor vive será passageira.

"Apesar da crise em Angola estamos aguentar e estamos a pedir a Deus que as coisas mudem aqui para melhor. Aqui não temos problemas com ninguém, a nossa religião nos obriga a respeitar qualquer humano e esse é o nosso princípio de vida no Islão", lembrou.

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