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Museu de Lamas quer integrar rede para afirmar coleção de industrial da família Amorim

Logótipo de O Jogo O Jogo 26/08/2017 Administrator

O Museu de Santa Maria de Lamas, que em Santa Maria da Feira reúne espólio do industrial corticeiro Henrique Amorim (1902-1977), quer integrar a Rede Portuguesa de Museus como "caso único nacional" de museografia através do colecionismo.

Em causa está um edifício de arquitetura peculiar cujas salas foram sendo construídas à medida que o empresário adquiria artigos que despertavam o seu interesse colecionista e com os quais criou uma estrutura semelhante à dos gabinetes de curiosidades dos séculos XV e XVI - disponibilizando ao público coleções de arte sacra, estatuária civil, etnografia e ciências naturais, a que se juntam outras de cerâmica, arte indígena e armas, ainda guardadas em reserva.

"A nossa expectativa é que a inclusão na Rede Portuguesa de Museus acabe com um certo preconceito que leva as pessoas a encararem o Museu de Lamas como pequenino e sem grande interesse, quando o que acontece é precisamente o contrário", declara à Lusa a conservadora do equipamento, Susana Ferreira.

"O que temos aqui é um exemplar único, vivo e singular de museografia histórica por via do colecionismo, num espaço que o fundador do museu criou para pôr a sua mundividência ao serviço da comunidade local e ajudá-la a adquirir conhecimento - muito de acordo, aliás, com aquele que era o espírito do Estado Novo", realça a responsável.

Doado em 1959 à Casa do Povo de Santa Maria de Lamas, o património reunido por Henrique Amorim incluiu também uma coleção de peças em cortiça que, sobretudo durante as décadas de 1970 e 1980, justificou que esse espaço fosse popularmente designado como o "Museu da Cortiça".

A sala que acomoda essas peças tem estado, no entanto, encerrada ao público, assim como várias outras alas do museu cuja recuperação e devida dinamização exige um investimento financeiro que, segundo Susana Ferreira, "a Casa do Povo não tem condições de suportar".

A conservadora do Museu de Lamas espera, por isso, que o processo de integração na Rede Portuguesa de Museus - iniciado em 2009 e entretanto sujeito a vários atrasos devido a reformulações na tutela, nomeadamente à extinção do Ministério da Cultura em 2012 e com efeitos até 2015 - possa "finalmente concretizar-se".

"A principal vantagem da integração na rede é aumentar a visibilidade e a credibilidade do Museu de Lamas", explica Susana Ferreira. "Vai permitir-nos criar sinergias com outros museus e representa um selo de confiança em candidaturas como as que queremos fazer ao programa Portugal 2020", refere.

Em 2016, o Museu de Santa Maria de Lamas recebeu cerca de 12.000 visitantes. Grande parte dessa afluência verificou-se em contexto escolar e em atividades formativas no âmbito do seu programa regular de serviço educativo.

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