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Número recorde de casos de paludismo na Praia preocupa autoridades de Cabo Verde

Logótipo de O Jogo O Jogo 30/08/2017 Administrator

A cidade da Praia registou desde o início do ano um total de 116 casos de paludismo autóctones, números recordes que preocupam as autoridades sanitárias de Cabo Verde, disse hoje fonte do Ministério da Saúde.

Em declarações à agência Lusa, o diretor do Programa Nacional de Luta contra o Paludismo (PNLP) de Cabo Verde, António Moreira, informou que tem havido um "aumento muito preocupante" de casos desde meados de julho, com registo de uma média de oito por dia.

Até ao momento, já foram contabilizados 116 casos, todos locais, números nunca antes registados na capital cabo-verdiana, onde o número máximo tinha sido 95 casos em todo o ano de 2001, seguido de 48 durante o ano de 2006.

Nos últimos 10 anos, por exemplo, os casos autóctones na Praia não têm ultrapassado os 30.

Segundo dados do Ministério da Saúde sobre a evolução anual, entre importados e autóctones, o máximo de casos de paludismo que todo o país já registou foi 140, em 1999.

António Moreira disse que o aumento "não é habitual", mas salientou que, felizmente, os doentes têm chegado cedo às estruturas de saúde, o que permite fazer o diagnóstico precoce.

Na entrevista à Lusa, o diretor do Programa Nacional de Luta contra o Paludismo indicou que, até agora, se regista apenas "casos simples" e não há registo de mortes.

O responsável de saúde cabo-verdiano disse que ainda não há necessidade de se declarar o estado de epidemia, manifestando confianca de que os casos vão começar a diminuir a partir de setembro e outubro, altura em que se espera diminuição da temperatura.

É que, segundo António Moreira, as altas temperaturas nesta época do ano "não têm ajudado", já que fazem com que as pessoas ficam mais tempo nas ruas, nos terraços, nas varandas e sem roupas, estando mais expostas aos mosquitos, que picam sobretudo à noite.

Por isso, apelou aos praienses para colaborarem, "não facilitando" a vida dos mosquitos, colocando redes nas portas e janelas, pulverizando as casas, fazendo fumarolas e ficando menos expostas.

Quanto às autoridades de saúde, António Moreira indicou que têm intensificado as atividades na capital cabo-verdiana, com campanhas de pulverização e abate, realizados por mais de 80 agentes, que ajudam também a combater outras doenças como dengue e zika.

Também disse que as autoridades de saúde têm contado com ajuda de outras entidades e que as atividades são realizadas em outras ilhas e concelhos com incidência de casos, mesmo que apenas importados e em números bastante reduzidos.

O diretor do programa de paludismo salientou que o saneamento continua a ser um "problema enorme" no país, agravado com as altas temperaturas e as águas acumuladas, que aumentam os viveiros de mosquitos.

"Mas vamos continuar a trabalhar e a sensibilizar as pessoas", disse, informando que na próxima semana será iniciado um estudo, com apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS), sobre o comportamento dos mosquitos.

O paludismo, também conhecido por malária, é uma doença provocada por um parasita do género Plasmodium, que é transmitido aos seres humanos através da picada de uma fêmea do mosquito Anopheles.

Ainda sem vacina, é uma doença "instável", de transmissão sazonal, cujo maior período vai de julho a dezembro, toda a população é vulnerável, mas tem baixo risco de epidemia.

Em janeiro, Cabo Verde foi distinguido pela Aliança de Líderes Africanos contra a Malária (ALMA) com o prémio Excelência 2017, pelos resultados alcançados no combate à doença.

A Organização Mundial da Saúde estima que o país tenha reduzido a sua taxa de incidência e de mortalidade associada à malária em mais de 40% no período decorrente e prevê também que tenha capacidade de eliminar a transmissão regional até 2020.

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