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"Nakajima? Falamos pela linguagem universal e temos o Ryuki"

Logótipo de O Jogo O Jogo 05/10/2017 Francisco Sebe

Ricardo Ferreira foi o melhor guarda-redes da II Liga e carrega agora o peso de defender a baliza de uma das equipas com mais golos sofridos, mas o registo não tira o ânimo nem reduz a confiança. Pelo meio, conta a O JOGO como se processa a comunicação com Nakajima, reforço japonês que tem dado nas vistas.

© André Vidigal/Global Imagens

Na quinta época ao serviço do Portimonense, o guarda-redes Ricardo Ferreira, de 27 anos, é a voz da serenidade, apesar de os algarvios terem somente mais um ponto do que os quatro últimos classificados. Em tempo de balanço, confiança é a palavra de ordem com a certeza de que é preciso melhorar para, por exemplo, não sofrer tanto.

Com o Aves, sofreu dois golos e nem uma defesa fez...

-É verdade, mas estou convencido de que isto vai mudar, porque temos qualidade para fazer jogos sem sofrer golos. Vamos voltar o mais rapidamente possível às vitórias. Às vezes, acreditamos que não vamos sofrer e depois é assim, como sucedeu com o Aves. A ideia é levantar a cabeça e corrigir os aspetos menos bons, para que no futuro sejamos mais coesos e sólidos e para que se torne cada vez mais difícil marcar um golo ao Portimonense.

De melhor guarda-redes da II Liga a uma das equipas com mais golos sofridos na I Liga. Como se explica? Pela diferença de escalão?

-Não é por isso. Temos de ver que nas sete primeiras jornadas fomos a Braga, casa de uma equipa que joga para a Champions e Liga Europa, a Vila do Conde, onde o Rio Ave, por norma, anda na Liga Europa, e também à Luz e ao Dragão. E ainda recebemos o Marítimo, que está num lugar cimeiro. Com o Aves, agora, sofremos dois golos e estivemos sempre por cima do jogo. Acho que acontece, não tem a ver com mudança de escalão. Se calhar, também temos de fazer mais em alguns dos jogos, mas as deslocações foram complicadas, em campos onde a maioria das equipas portuguesas dificilmente passa sem sofrer golos. Mas queremos melhorar e aumentar os níveis de confiança.

O ânimo do grupo ressentiu-se pelos muitos golos sofridos?

-Nós jogamos bem à bola. Lembro a excelente primeira parte em Braga, em que o Xadas fez aquele excelente golo. Com o Rio Ave, atirámos ao poste e à barra e o extremo deles [Barreto] conseguiu outro grande golo. Frente ao Benfica, já se sabe, só aquele remate do André Almeida nos impediu de pontuar. Tem havido algum azar e não há campeões sem sorte. Estou convencido de que esta fase, menos boa nesse sentido, vai mesmo mudar.

O "azar" de que fala terá a ver com a pouca experiência de quase todo o plantel na I Liga?

-Acho que não. A partir da primeira jornada deixou-se de pensar nisso. A nossa qualidade está bem vincada, sabemos o que temos de fazer e como devemos atuar. Custa jogar bem e não pontuar, porque isto faz-se com pontos, mas quem joga bem está mais perto de ganhar. Todos sabemos que isto vai virar! Todas as equipas têm fases menos boas, nós temos o exemplo da época passada, mas, repito, as coisas vão melhorar.

Depois dos jogos difíceis de que falou, vêm aí jogos mais acessíveis?

-Não há jogos fáceis, mas vem aí uma série de jogos com equipas que, se calhar, têm os mesmos objetivos que o Portimonense. São do nosso campeonato, como se costuma dizer. Mas isso só será válido se mantivermos a seriedade e muita atitude na procura dos pontos.

Já agora, uma curiosidade: como é que se entendem com o Nakajima, que só fala japonês?

-Às vezes, chamo-lhe à atenção através de algumas palavras em inglês, que ele vai percebendo minimamente, mas ainda muito a custo. O "diálogo" passa, sobretudo, pelos gestos, pela linguagem universal do futebol. Acabamos sempre por nos entendermos. E quando fica mais difícil temos de recorrer ao Ryuki para fazer a tradução [o médio tem dupla nacionalidade japonesa e brasileira e, claro, fala a língua nipónica].

"Muito feliz" em Portimão

Em termos pessoais, Ricardo Ferreira, um minhoto que passou por Braga, Olhanense e Marítimo, representa o clube algarvio pela quinta época consecutiva. Já se sente, por isso, completamente da casa. "Gosto muito do Algarve, do Portimonense, dos adeptos. Sinto-me feliz aqui e trabalho diariamente para ajudar a concretizar os objetivos coletivos. Sinto que as pessoas também gostam de mim. Aliás, as pessoas são todas impecáveis e a região é fantástica. Sou muito feliz aqui", confidencia o guarda-redes, que não consegue disfarçar a emoção quando lhe falamos na esposa e no filho, o grande refúgio depois de horas a aplicar-se a fundo. É o quadro de uma família feliz, diz quem vê.

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