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Obra de Alberto Carneiro exposta ao fim de 26 anos, a partir de hoje, na Culturgest Porto

Logótipo de O Jogo O Jogo 22/07/2017 Administrator

A instalação "Um campo depois da colheita", de Alberto Carneiro, uma das mais importantes do escultor, exposta pela última vez há 26 anos, regressa hoje à Culturgest Porto, onde vai ficar até 01 de outubro.

A inauguração está marcada para as 17:00 de hoje, e a obra fica patente ao público a partir de domingo.

"Entre 1968 e 1973, Alberto Carneiro realizou três instalações que foram determinantes para o seu percurso e para toda a arte portuguesa posterior", escreve a Culturgest, na apresentação da obra que é exposta no Porto, referindo-se igualmente a "O Canavial: Memória metamorfose de um corpo ausente", de 1968, e "Uma floresta para os teus sonhos", de 1970.

"Um campo depois da colheita para deleite estético do nosso corpo", o seu título integral, data de 1973-1976 e "é muito mais difícil de produzir [do que as anteriores], porque é inteiramente dependente do ciclo da Natureza", escreve a Culturgest.

A obra não é vista há 26 anos, desde a retrospetiva dedicada a Alberto Carneiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1991, tendo antes sido apresentada no Porto, em 1976, no Museu Nacional Soares dos Reis, na mostra que o escultor aí realizou.

Para a atual apresentação no Porto, foi necessário reservar um campo de cultivo, na região de Montalegre, semeá-lo de centeio e colhê-lo. O processo apenas foi possível com a colaboração da Câmara Municipal de Montalegre e do Ecomuseu de Barroso, segundo a organização.

As três instalações - "O Canavial: Memória metamorfose de um corpo ausente", "Uma floresta para os teus sonhos" e "Um campo depois da colheita, para deleite estético do nosso corpo" - estabelecem-se como "máquinas de viajar no tempo e no espaço", ao recriarem "a presença do campo", no lugar construído da exposição, com "rigorosa e cuidadosa organização de elementos do ciclo da Natureza".

Raramente vistas em público, as três instalações são agora mostradas em simultâneo, na Culturgest Porto e na Culturgest Lisboa, sempre com curadoria de Delfim Sardo.

"O Canavial: Memória metamorfose de um corpo ausente" e "Uma floresta para os teus sonhos" foram incluídas na exposição coletiva "Simultânea", patente em Lisboa até setembro, paralela à mostra "O Fotógrafo Acidental: serialismo e experimentação em Portugal, 1968-1980", sobre o uso crítico e conceptual da fotografia, por artistas portugueses, nas décadas de 1960-70.

"O Fotógrafo Acidental" dedica igualmente um núcleo a Alberto Carneiro, com os registos fotográficos do seu trabalho escultórico e ambiental, nomeadamente das "operações estéticas" realizadas em Vilar de Paraíso (1973) e Alto de S. João de Aregos (1974/75), assim como "Elemesmo/outro", série de 1978-1979, da coleção do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado.

A par destas obras, é ainda possível ver, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a instalação "Árvore jogo/lúdico em sete imagens espelhadas", desenvolvida entre 1974 e 2009.

A Fundação de Serralves, no texto de apresentação da mostra "Arte/Vida Vida/Arte", de 2013, incluía Alberto Carneiro entre os que mais "abriram novos caminhos para a prática artística em Portugal", destacando a "singular relação [do seu trabalho] entre a arte e a natureza", ao ponto de toda a sua produção artística se confundir "com a sua própria vida e com as reminiscências do meio onde nasceu e cresceu".

"A obra de arte que não coloca qualquer problema, não é obra de arte, porque ela existe para questionar, para aumentar o campo de ação, para criar novas fronteiras", disse o escultor à agência Lusa, em 2011, quando da exposição individual na Casa da Cerca, em Almada.

Alberto Carneiro morreu no Porto, no passado mês de abril, aos 79 anos.

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