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Obra de Alberto Carneiro exposta ao fim de 26 anos, com centeio colhido em Montalegre

Logótipo de O Jogo O Jogo 21/07/2017 Administrator

A instalação "Um campo depois da colheita", de Alberto Carneiro, uma das mais importantes do escultor, exposta pela última vez há 26 anos, vai regressar à Culturgest Porto, no sábado, concluído o ciclo de sementeira do centeio, em Montalegre.

"Entre 1968 e 1973, Alberto Carneiro realizou três instalações que foram determinantes para o seu percurso e para toda a arte portuguesa posterior", escreve a Culturgest, na apresentação da obra que é exposta no Porto, referindo-se igualmente a "O Canavial: Memória metamorfose de um corpo ausente", de 1968, e "Uma floresta para os teus sonhos", de 1970.

"Um campo depois da colheita para deleite estético do nosso corpo", o seu título integral, data de 1973-1976 e "é muito mais difícil de produzir [do que as anteriores], porque é inteiramente dependente do ciclo da Natureza", escreve a Culturgest.

A obra não é vista há 26 anos, desde a retrospetiva dedicada a Alberto Carneiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1991, tendo antes sido apresentada no Porto, em 1976, no Museu Nacional Soares dos Reis, na mostra que o escultor aí realizou.

Para a atual apresentação no Porto, foi necessário reservar um campo de cultivo, na região de Montalegre, semeá-lo de centeio e colhê-lo. O processo apenas foi possível com a colaboração da Câmara Municipal de Montalegre e do Ecomuseu de Barroso, segundo a organização.

As três instalações - "O Canavial: Memória metamorfose de um corpo ausente", "Uma floresta para os teus sonhos" e "Um campo depois da colheita, para deleite estético do nosso corpo" - estabelecem-se como "máquinas de viajar no tempo e no espaço", ao recriarem "a presença do campo", no lugar construído da exposição, com "rigorosa e cuidadosa organização de elementos do ciclo da Natureza".

Raramente vistas em público, as três instalações são agora mostradas em simultâneo, na Culturgest Porto e na Culturgest Lisboa, sempre com curadoria de Delfim Sardo.

"O Canavial: Memória metamorfose de um corpo ausente" e "Uma floresta para os teus sonhos" foram incluídas na exposição coletiva "Simultânea", patente em Lisboa até setembro, paralela à mostra "O Fotógrafo Acidental: serialismo e experimentação em Portugal, 1968-1980", sobre o uso crítico e conceptual da fotografia, por artistas portugueses, nas décadas de 1960-70.

"O Fotógrafo Acidental" dedica igualmente um núcleo a Alberto Carneiro, com os registos fotográficos do seu trabalho escultórico e ambiental, também eles transformados em obras de arte, nomeadamente as "operações estéticas" realizadas em Vilar de Paraíso (1973) e Alto de S. João de Aregos (1974/75), assim como "Elemesmo/outro", série de 1978-1979, da coleção do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado.

A par destas obras, é ainda possível reencontrar, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a instalação "Árvore jogo/lúdico em sete imagens espelhadas", desenvolvida entre 1974 e 2009.

Construída sobre barro, corda de sisal, chapas de inox, árvore e canas, esta obra encontra-se agora na área de acesso às salas da Coleção Moderna da Gulbenkian, onde estão reunidos os três núcleos da exposição "Portugal em Flagrante".

"A obra de arte que não coloca qualquer problema, não é obra de arte, porque ela existe para questionar, para aumentar o campo de ação, para criar novas fronteiras", disse o escultor à agência Lusa, em 2011, quando da exposição individual na Casa da Cerca, em Almada.

Considerado um dos mais importantes artistas portugueses do século XX, Alberto Carneiro morreu no Porto, aos 79 anos, no passado mês de abril.

Nasceu em setembro de 1937, em São Mamede do Coronado, concelho da Trofa, distrito do Porto, local ao qual se manteve ligado durante toda a vida e onde iniciou a aprendizagem da escultura com um santeiro.

No Porto, frequentou a Escola Soares dos Reis e a Escola de Belas Artes, onde se licenciou em 1967 e onde venceu o prémio nacional de escultura, em 1968, antes de partir para Londres. Na capital britânica, estudou com Anthony Caro e Philip King. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, de 1975 a 1976, e deu aulas de Escultura nas Belas Artes do Porto.

Entre 1972 e 1985, foi diretor pedagógico e artístico do Círculo de Artes Plásticas da Universidade de Coimbra, tendo, a partir de 1985 e até 1994, dado aulas na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.

Foi o principal dinamizador dos Simpósios de Escultura de Santo Tirso, na base do Museu Internacional de Escultura Contemporânea.

A Fundação de Serralves, no texto de uma exposição de 2013, incluía Alberto Carneiro entre os que mais "abriram novos caminhos para a prática artística em Portugal", destacando a "singular relação [do seu trabalho] entre a arte e a natureza", ao ponto de toda a sua produção artística se confundir "com a sua própria vida e com as reminiscências do meio onde nasceu e cresceu".

"O Canavial: Memória metamorfose de um corpo ausente" e "Uma floresta para os teus sonhos" ficam patentes até 10 de setembro, em Lisboa, e "Um campo depois da colheita, para deleite estético do nosso corpo", até 01 de outubro, no Porto. A inauguração na Culturgest Porto está marcada para sábado, 22 de julho, às 17:00, segundo "o ciclo da Natureza".

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