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OE2018: Catarina Martins quer discutir escolhas e não restrições para "fazer o que falta"

Logótipo de O Jogo O Jogo 27/08/2017 Administrator

A coordenadora do BE avisou hoje que a discussão do Orçamento do Estado para 2018 é sobre escolhas e não restrições, sublinhando que os bloquistas recusam "gerir o que já foi feito" porque querem "fazer o que falta".

"Nós não vamos gerir o que já foi feito, vamos fazer o que falta fazer e o que nos comprometemos a fazer quando fizemos os acordos em novembro de 2015", afirmou Catarina Martins, hoje à tarde, no discurso de mais de meia hora do encerramento do Fórum Socialismo 2017, a rentrée política do BE.

A líder bloquista foi perentória e deixou um aviso ao Governo: "no próximo Orçamento do Estado nós vamos estar a discutir escolhas, muito mais do que restrição".

"Tem de ser uma escolha desfazer o brutal aumento de imposto que Vítor Gaspar fez, e, acima de tudo, recuperar progressividade fiscal, ou seja, justiça fiscal. A proposta do BE para os escalões do IRS é clara e até bem modesta", começou por explicar no final do Fórum Socialismo 2017 que, desde sexta-feira, reuniu no Liceu Camões, em Lisboa, 450 participantes e 90 oradores, num total de 52 debates.

A proposta de introduzir escalões é, segundo Catarina Martins, "repor um terço do brutal aumento de impostos de Vítor Gaspar", rejeitando a justificação que "é tecnicamente impossível por causa de um qualquer rendimento de topo".

"Porque, se há local onde se sabe trabalhar e preparar tecnicamente as propostas é no BE e se for preciso modelar os tetos dos escalões de IRS mais altos para garantir que a criação de mais escalões é, sobretudo, reposição de rendimento para quem recebe menos de salário e pensão, cá estaremos para isso", explicou.

O que o partido - que reúne na terça-feira com o Governo para negociar o OE2018 - não aceita "é que haja desculpas para manter um sistema fiscal injusto que foi criado por Vítor Gaspar".

No sábado à noite, na rentrée socialista, o primeiro-ministro, António Costa, assegurou que o próximo Orçamento do Estado continuará a aumentar o rendimento das famílias e, por isso, serão introduzidos mais escalões no IRS, "para que quem ganhe menos, pague menos".

Em relação às reformas antecipadas das muito longas carreiras contributivas, Catarina Martins começou por considerar que "a proposta que o Governo aprovou e que entra em vigor em 01 de outubro é um passo de justiça essencial no nosso país".

"Mas, quando olhamos para quem fica de fora, sabemos também que temos escolhas para fazer no Orçamento do Estado", avisou.

Assim, as pessoas "que também foram vítimas de trabalho infantil, mas, porque estão hoje em desemprego de longa duração, não têm os 48 ou 46 anos de contribuições" ou "quem foi enganado por Pedro Mota Soares", quando o anterior Governo aliciou "para reformas antecipadas com penalizações enormes que gerou pensões miseráveis, também merece reparação neste Orçamento do Estado".

"Nada seria mais grave do que, chegados aqui, acharmos que estava tudo feito. O acordo para parar o empobrecimento que fizemos não se esgota de forma alguma nas medidas que tivemos até agora", enfatizou.

Para Catarina Martins há "muito que fazer para recuperar os rendimentos do trabalho em Portugal, os serviços públicos e continuar a recuperar a economia e o emprego", recusando que "no meio da legislatura" se esteja apenas a "gerir o que já foi feito".

"Vamos continuar com toda a determinação o caminho a que nos propusemos desde o início: parar o empobrecimento do país, respeitar quem aqui vive, quem aqui quer viver", antecipou.

O drama dos incêndios não ficou de fora do discurso da líder do BE, considerando que, neste verão, estes "mostraram ao país a face mais dura e violenta de um interior abandonado e uma floresta desordenada".

Catarina Martins quer, assim, que haja "capacidade para agir no ordenamento do território" e "passos essenciais para limitar o eucalipto", esperando que o PS não fique "agarrado a velhas formas de olhar a floresta".

Além do imenso agradecimento aos bombeiros de Portugal, a bloquista defende ser preciso pensar os modelos de Proteção Civil, tirar ilações dos últimos acontecimentos trágicos e "ir às medidas que contam".

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