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Operação Marquês: Sócrates diz que acusação do MP visa criminalizar período político

Logótipo de O Jogo O Jogo 13/10/2017 Administrator

O ex-primeiro-ministro José Sócrates disse hoje que as acusações do Ministério Público pretendem criminalizar o período político em que chefiou o Governo e que são mentiras que têm "tudo a ver com direita e com esquerda".

"Todas as grandes imputações que me fazem pretendem criminalizar uma gestão política, um período político", afirmou em entrevista à RTP.

Segundo defendeu, o Ministério Público fundamenta "toda a acusação em várias mentiras", pondo de lado aquilo que não interessa à acusação.

"Eu devo ser a única pessoa no mundo que é acusado de ter uma fortuna escondida e que pediu três empréstimos à CGD", ironizou, sublinhando que "isso é posto de lado" na acusação.

Rejeitando as várias acusações de corrupção passiva enquanto primeiro-ministro, José Sócrates negou ter defendido os interesses de Ricardo Salgado e do BES, ter tido qualquer intervenção na aprovação do empreendimento de Vale de Lobo ou na Oferta Pública de Aquisição da PT pela Sonae ou ter sido quem nomeou Armando Vara para a CGD.

"Nunca me encontrei com o dr. Ricardo Salgado antes de 13 de outubro de 2006. Dizem que fiz acordo entre 1 de março e 18 de abril", disse Sócrates, acrescentando que foi ver "o registo das entradas na residência do primeiro-ministro" e só em outubro houve uma reunião.

José Sócrates negou ainda tido qualquer intervenção na aprovação de Vale do Lobo, no Algarve, alegando que "não conhecia os seus dirigentes nem os seus acionistas" e que nunca discutiu o assunto com ninguém.

Também a acusação de que terá nomeado o antigo ministro Armando Vara para a administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi rejeitada, apontando essa decisão ao seu ministro das Finanças de então: Teixeira dos Santos.

"Não fui que o nomeei", afirmou, lembrando que Teixeira dos Santos já garantiu não ter sido pressionado, tendo a escolha sido decisão sua.

Sócrates negou também qualquer benefício às empresas do Grupo Lena, assegurando que o então administrador Carlos Santos Silva nunca lhe falou de nenhum concurso em que estivesse envolvido.

Segundo adiantou, enquanto liderou o Governo, Sócrates nunca aceitou qualquer empréstimo do empresário com quem o Estado tinha negócios.

"Isso seria censurável e eu não o faria", declarou.

Questionado sobre a razão pela qual os alegados empréstimos de Carlos Santos Silva eram feitos em numerário e não por transferência bancária, Sócrates considerou que se tratava de uma relação normal e que explicou que essa decisão lhe foi pedida pelo empresário.

"Não foi para ocultar de ninguém", afirmou, adiantando que "as quantias eram muito modestas", tendo apenas uma vez chegado aos 5 mil ou 7.500 euros.

O antigo primeiro-ministro negou ainda que o dinheiro tivesse sido usado para pagar férias, viagens, quadros ou roupas e justificou a fatura encontrada na sua casa de um quadro de Júlio Pomar com um acordo feito com Carlos Santos Silva.

"O engenheiro Carlos Santos Silva comprou um quadro de Júlio Pomar e, uns meses depois, eu convenci-o a trocar esse quadro por cerca de sete ou oito quadros que eu tinha em minha casa e que a mulher dele gostava mais. Isso é muito fácil de provar porque os quadros estão em casa dele", disse.

Sobre as contas na Suíça em nome de Carlos Santos Silva que tinham como beneficiário principal, em caso de morte, o primo de José Sócrates, João Paulo Pinto de Sousa, o antigo primeiro-ministro sublinhou não ter responsabilidades nos negócios entre os dois.

[Carlos Santos Silva] "era sócio do meu tio nas salinas de Benguela, que o meu primo vendeu a um familiar dele, Hélder Bataglia, negócio ao qual sou completamente estranho", afirmou.

"Eles abriram uma conta na Suíça, onde depositaram seis milhões de euros em nome de Carlos Santos Silva, mas cujo dinheiro só podia passar de facto para Carlos Santos Silva quando fossem vendidas as salinas", referiu.

No final da entrevista, José Sócrates considerou que "não vai sobrar folha sobre folha" desta acusação e disse que este processo foi excecional.

"Quero que todos os portugueses saibam que este processo não foi justo, foi um processo excecional", afirmou, acrescentando que "o Direito não foi seguido para todos" e que Portugal "não é um Estado de Direito, é um Estado de exceção".

O Ministério Público acusou na quarta-feira José Sócrates por 31 crimes, repartidos por corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada.

Além de José Sócrates, foram acusados na Operação Marquês o empresário Carlos Santos Silva, amigo de longa data e alegado testa de ferro do antigo primeiro-ministro, o ex-presidente do BES Ricardo Salgado, os antigos administradores da PT Henrique Granadeiro e Zeinal Bava e o ex-ministro e antigo administrador da CGD Armando Vara.

No total, na Operação Marquês foram acusados 28 arguidos, 19 pessoas e nove empresas, por um conjunto de 188 crimes.

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