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Oposição timorense defende aliança apesar de diferenças entre partidos

Logótipo de O Jogo O Jogo 18/10/2017 Administrator

Os dois maiores partidos da oposição timorense defenderam hoje a aliança de alternativa de Governo, rejeitando que as "diferenças normais" existentes entre si sejam obstáculos para um diálogo que ajude a criar a necessária estabilidade governativa.

Deputados do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) e do Partido Libertação Popular (PLP), que em conjunto com o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) são maioria no parlamento, defenderam o acordo de Aliança de Maioria Parlamentar (AMP) entre si.

Arão Noé Amaral, líder da bancada do CNRT, disse que a aliança resulta "de uma negociação entre as bancadas". O CNRT defendeu sempre a posição "de se manter na oposição se não tivesse maioria", mas respondeu à necessidade política atual, sublinhou Arão Noé Amaral.

"Os partidos da oposição têm 35 cadeiras e isso fica desequilibrado com a minoria do governo e por isso oferecemos a alternativa de AMP para assegurar a estabilidade governativa", disse.

"Há diferenças. Sim. É normal. Como deve haver entre Fretilin [Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente] e PD [Partido Democrático] e estão juntos. É normal no processo democrático. Na política não há inimigos permanentes, não há amigos permanentes", afirmou. Fretilin e PD integram a coligação de Governo.

Demétrio de Carvalho (PLP) disse que os partidos da aliança "aprenderam com os líderes" mais velhos do país a "encontrar plataformas comuns e pontuais apesar de diferenças" entre si e entre os seus partidos.

"Somos três partidos diferentes, mas conseguimos aprender a lição de líderes, como os irmãos Mari Alkatiri, Xanana Gusmão, e encontrar incidências pontuais entre os partidos para criar uma plataforma alternativa de Governo", disse.

"Uma plataforma liderada pelos lideres dos três partidos, Xanana Gusmão, Taur Matan Ruak e José Dos Santos Naimori. Os três lutamos pelos valores, princípios, objetivos de apoiar o povo", afirmou.

Abel Pires (PLP) negou que o partido esteja "contra os megaprojetos 'per se'", defendendo "a necessidade de canalizar recursos do Estado para responder às necessidades básicas" da população.

O tema marcou o terceiro dia de debate do programa de Governo no Parlamento Nacional, com o primeiro-ministro Mari Alkatiri, a afirmar que a aliança dos três partidos da oposição é "contranatura" por envolver um partido a favor de grandes projetos e outro contra grandes projetos.

"A aliança é contranatura. É uma aliança contra a natureza política. Não somos nós a contradição. A aliança é que é a contradição", afirmou Mari Alkatiri.

"O CNRT defende [os grandes projetos] de Tasi Mane, Oecusse, e agora faz alianças com o PLP, um partido que é contra Tasi Mane e contra Oecusse. Isso é contranatura", disse, referindo-se a dois dos maiores projetos em curso em Timor-Leste. "Peço desculpa mas isto não tem muito lógica", acrescentou.

Deputados do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), do Partido Libertação Popular (PLP) e do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) têm criticado o que considerou "incoerências e inconsistências" do texto que o Governo disse ter assentado no princípio de "evolução na continuidade".

Em respostas aos deputados, Alkatiri disse que existir uma aliança na oposição "é normal", mas insistiu serem "contranatura as posturas dos partidos face ao que prometeram ao povo".

"Dizem que não há consistência no programa do governo, mas não há consistência na vossa posição agora. Podem fazer declaração de fé, ato de fé, mas isso não tem lógica.", disse.

"Dizem que as nossas respostas não inspiram confiança. Quando se parte do preconceito, não se consegue compreende conceitos ou paradigma. E aqui partiu-se do preconceito", afirmou Alkatiri.

O primeiro-ministro perguntou ainda à oposição se a aliança é "contra alguém ou contra o partido", afirmando que se for contra si próprio que "está pronto" a deixar o cargo.

"Dizem que a nossa proposta não vos convence. Então apresentem propostas para ficarem convencidos. Dizem que não há consistência, que não é coerente, mas depois não mostram nem consistência nem coerência", afirmou Alkatiri

"Crítica, bota abaixo, bota abaixo e sem propostas. Isso é que é oposição construtiva, educativa? Peço favor. Se querem entendimento têm que contribuir positivamente. Porque se não, estão livres para fazer o que quiserem", considerou.

Arão Noé Amaral voltou a pedir a palavra, afirmando que a Constituição não prevê que no debate e apreciação do programa do Governo haja propostas, insistindo que nem sequer estava claro como isso se processaria.

"Isso é como? Vota-se, apresenta-se programa alternativo e vota-se? E depois o Governo executa? É assim que se processa. A Constituição diz que se debate, que se apresenta moção de rejeição ou voto de confiança, não há referência a fazer propostas", disse.

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