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Paul Kagame, arquiteto do novo Ruanda, caminha para terceiro mandato

Logótipo de O Jogo O Jogo 03/08/2017 Administrator

O Presidente do Ruanda, Paul Kagame, que sexta-feira deverá ser reeleito para um terceiro mandato, é o arquiteto de uma nação próspera renascida de um genocídio, mas acusado também de a ter convertido num estado autoritário camuflado de democracia.

Paul Kagame (Ruanda, 1954), de etnia tutsi, foi obrigado a abandonar o país aos 4 anos com a sua família, em fuga à onda de violência iniciada por extremistas da etnia rival no país, os hutus.

Depois de passar pelo Burundi e a pela República Democrática do Congo, a família de Kagame estabeleceu-se em 1960 num campo de refugiados no Uganda.

Em 1979, Paulo Kagame juntou-se à guerrilha do Exército de Resistência Nacional, encabeçada por Yoweri Museveni, atual Presidente do Uganda, na qual chegou a ser o chefe dos serviços de informações.

Em 1986, participou na fundação de Frente Patriótica do Ruanda (RPF, na sigla inglesa), uma organização paramilitar criada para lutar contra o Governo do seu país natal, dominado por hutus.

Em 1994, o então Presidente ruandês, Juvenal Habyarimana, morreu na sequência do derrube do avião em que viajava. O incidente deu início à matança de cerca de um milhão de tutsis e hutus em menos de cem dias, num dos piores genocídios no mundo pós Segunda Guerra.

As milícias da RPF conseguiram nesse ano entrar no Ruanda e rapidamente chegar a Kigali, onde assumiram o poder no país.

Kagame, que era comandante militar da RPF, foi nomeado vice-presidente do Ruanda e ministro da Defesa e posteriormente, após a demissão do então chefe de Estado, Pasteur Bizimungu, um hutu, foi nomeado Presidente em 2000.

Em 2003, apresentou-se pela primeira vez a eleições e venceu com 90% dos votos escrutinados. Nas eleições de 2010, que se celebraram sem uma oposição genuína, foi reeleito por 93% dos eleitores.

Desde 2003, e mais intensamente a partir de 2010, o Ruanda tem vivido sob o signo da prosperidade económica (o produto interno bruto está a crescer atualmente a um ritmo de 6,8%) e social, alicerçado na estabilidade e na luta contra a corrupção.

"Depois de parar o genocídio, o Presidente conseguiu restaurar a unidade. É o arquiteto da paz e da segurança no Ruanda", disse à agência noticiosa Efe o vice-reitor da Universidade de Tecnologia e Estudos Empresariais de Kigali, Tombola Gustave.

"O seu interesse pela educação fez aumentar a alfabetização do Ruanda. Quase todas as crianças têm a possibilidade de frequentar a escola", diz, pelo seu lado, Faith Katarewka, diretora da Fountain Publishers, uma editora de livros escolares.

Os evidentes avanços sociais e económicos do país têm tido, de acordo com diferentes organizações internacionais, um custo inadmissível: o dos direitos humanos.

Kagame é censurado desde há anos por limitar as liberdades civis, praticar uma censura férrea sobre os meios de comunicação social e de perseguir e prender os dissidentes do regime.

A Amnistia Internacional e a Human Rights Watch acusam mesmo as forças de segurança do Ruanda de cometerem execuções extrajudiciais.

Com o apoio dos principais partidos da oposição, os analistas políticos ruandeses acreditam que Kagame terá nestas eleições um resultado abaixo dos 90%, mas esmagadoramente acima de Frank Habineza, líder do Partido Verde Democrático do Ruanda, a única oposição real no país, isolada no voto contra a alteração constitucional que permitiu a Kagame concorrer a um terceiro mandato.

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