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Pedro Emanuel: a Taça Intercontinental, as irmãs e aquele assobio

Logótipo de O Jogo O Jogo 21/04/2017 Alcides Freire

O atual treinador do Estoril falou ao Porto Canal sobre o início de carreira, a importância da família a sobre o seu assobio, uma das imagens de marca enquanto jogador.

Olhar sobre o dia 12 de dezembro de 2004 (grande penalidade na Taça Intercontinental): "Esse momento foi importante para mim, mas mais pelo que representou. Pelo que jogo que foi e pelo que tínhamos conquistado ao longo, alguma supremacia, mas não refletida em golos, e depois chegarmos aquele momento onde após tantas grandes penalidades chegou a minha vez naquele momento de decidir. Acabei por ser eu a imagem daquela final e foi um pouco do que eu disse no final do jogo: não tive medo de ser feliz ou procurei que refletisse a nossa felicidade coletiva. E acho que foi perfeita essa conquista após dois anos gloriosos, para mim, mas principalmente para o clube e para o grupo de trabalho que muito conquistou".

Noção da importância do momento: "Acho que foi um momento de grande concentração e teve a ver com aquilo que tínhamos analisado em relação ao Once Caldas. Tinham passado várias eliminatórias através de grandes penalidades, o Henao, o guarda-redes deles, era especialista nessa arte de defender penáltis. Foi, portanto, um momento de concentração da minha parte e acima de tudo de foco do que era importante naquele momento que era dar-nos a vitória pela qual tanto trabalhamos e que acreditei que finalmente iríamos conquistar".

Futebol como grande paixão: "O futebol sempre foi a minha paixão. Inicialmente, nem era para ser o futebol, mas sim a natação. A minha mãe elegeu como sendo a natação, mas entretanto os meus pais deram conta que não era nada disso que eu pretendia. O meu pai tem um amigo que era, na altura, o tesoureiro na altura no Boavista, o sr. José Fernandes, e disse que ia haver captações no Boavista e acabei por ficar. Mas antes, sem os meus pais praticamente saberem, tinha ido, com a minha irmã mais velha, às captações no FC Porto. Só que eram tantos e tantos miúdos que eu passei à segunda fase e a minha irmã não teve hipótese de lá me levar e acabei por desistir. Quando foram as captações do Boavista fiquei logo e acabei por começar a minha formação no Boavista e ter anos bastante felizes e crescer enquanto jogador e homem e grande parte do que sou hoje deve-se a muito do que aprendi no Boavista e do crescimento na formação até ao ponto de ter sido campeão nacional".

© Global Imagens

Captações no Boavista: "Agradeço à minha irmã ter-me dado a oportunidade de ir às captações - não fiquei porque ela não teve hipótese de ir no dia seguinte aos primeiros treinos onde estavam uns 250 miúdos -, mas também o apoio. Aliás, as minhas duas irmãs são extraordinárias, deram-me sempre muito apoio porque sempre sentiram que a paixão tinha pelo futebol era enorme".

A mãe ficou chateada por ter optado pelo futebol? "Não ficou porque desde o início que tínhamos um acordo. O meu pai ficou todo contente, porque é o desporto que o meu pai elege como favorito, mas a minha mãe, pelas histórias que ia ouvindo sobre o que era a vida de futebolista, procurou sempre que eu não descurasse a minha educação e formação e fiz um acordo com ela: se não reprovasse em nenhum dos anos ela dar-me-ia a oportunidade de estar sempre no futebol até quando eu quisesse. Consegui cumprir esse compromisso até chegar à fase em que tive de decidir em ser profissional de futebol e abandonar a parte académica. Acabei por entrar no ISCAP, ainda estive dois ou três anos a fazer o primeiro ano, mas depois, quando chegaram as exigências a nível profissional, acabei por abandonar".

Contrato profissional: "Quando assinei o primeiro contrato profissional tinha 17 anos e tinha que ter a anuência dos meus pais, e na altura fui ganhar um ordenado igual ao da minha mãe que, como funcionária pública, tinha ao fim de 20 anos de carreira. Isso leva a que as pessoas olhassem de lado para o que era um futebolista. Foi uma conversa que tive com uma pessoa responsável pelo Conselho Diretivo da Universidade que me disse que eu já tinha uma profissão e estava a tirar uma vaga a quem não tinha profissão. Foi um pouco isso que me levou a desistir de prosseguir o curso".

Limitações: "É importante termos a noção das nossas limitações e daquilo que terão de ser as nossas exigências para podermos evoluir. O importante foi a minha passagem pelos clubes da II Divisão. É um jogo mais físico que me obrigou a ser muito mais inteligente. E depois também foi importante quem fui encontrando ao longo da passagem por esses clubes até chegar ao Boavista onde encontrei Isaías, Tavares, Rui Bento, pouco maios velhos do que eu, o próprio Litos, com quem tinha jogado na formação".

Jaime Pacheco e o Boavista: "Acho que é muito importante a identidade de um treinador em função daquilo que é a cultura do clube. o Boavista e o Jaime Pacheco encaixavam perfeitamente. Isso deu continuidade e crescimento ao Boavista. As chegadas à Liga dos Campeões, à Taça UEFA... O Jaime Pacheco soube conjugar a mentalidade do clube com a oportunidade de ser campeão. Eu estava presente nessa altura, com um grupo de trabalho extraordinário, com qualidade e um grande espírito de equipa e solidariedade. Tentámos ser melhores a cada dia e isso levou a que o clube crescesse ao ponto de ser campeão nacional".

Comandante: "Quando estamos num estádio, se queremos falar para o colega do lado, dificilemente nos vai ouvir. Quando se ouvia o meu assobio já se sabia que queria dizer alguma coisa. Tive vários colegas que se distraíam bastante. Não queria dizer nomes, mas se o Ricardo Carvalho se assumiu distraído... Era um extraordinário jogador com o qual aprendi imenso. Não deixa de ter algo que ele próprio também assumiu e melhorou. Isto para dizer que a forma de estar em campo com o assobio tinha a ver com a minha identidade".

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