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Portugal importa 90% das sementes utilizadas na agricultura

Logótipo de O Jogo O Jogo 27/10/2017 Administrator

Portugal importa 90% das sementes utilizadas na agricultura e as produzidas de modo biológico representam uma importação de 100%, disse hoje Paulo Martinho, responsável pelo projeto Sementes Vivas, instalado em Idanha-a-Nova.

"O nosso objetivo é reduzir a balança comercial das sementes. Neste momento, importamos 90% das sementes em Portugal. Estamos a falar das convencionais, porque em relação às biológicas ainda não existem, é 100%", explicou.

O responsável do projeto da 'Living Seeds - Sementes Vivas SA', empresa de produção de sementes biológicas que se instalou em 2015, em Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, falava à margem da conferência "Nova Ruralidade - Reviver o Interior de forma biológica", que decorre até sábado na vila de Idanha-a-Nova.

Paulo Martinho, que venceu o prémio de "Melhor jovem agricultor 2017" com este projeto, acredita que o futuro passa pela agricultura biológica e adianta que em países como a Alemanha ou França o desenvolvimento deste tipo de agricultura é extraordinário.

"Em Portugal, estamos um pouco atrasados. A agricultura biológica teve o seu 'boom' há uns anos. Percebemos que está para ficar e que está na moda, quando vemos a grande distribuição a aceitar a agricultura biológica", disse.

Contudo, em termos de produção, sublinha que o país tem ainda um contexto "mais complicado", porque a produção ainda não está preparada para abastecer qualquer cadeia, por mais pequena que seja, apesar de haver vontade por parte do consumidor.

"Também por falta da educação e do conhecimento, uma vez que em Portugal abandonamos a agricultura e a investigação na agricultura. Idanha-a-Nova está a ser uma região pioneira, não só por ter abraçado este projeto, mas pelo interesse que tem manifestado por este tipo de agricultura", frisou.

A Sementes Vivas está instalada na incubadora de empresas de base rural de Idanha-a-Nova e explora 25 hectares de terreno na Herdade do Couto da Várzea, onde emprega 22 pessoas e trabalha com agricultores de norte a sul do país, que fazem a multiplicação de sementes para a empresa, sendo que possui ainda protocolos no âmbito da investigação com escolas agrárias de politécnicos, como os de Castelo Branco ou Coimbra.

"Entregamos a semente base, eles [agricultores] multiplicam e depois fazemos a recolha e desenvolvemos toda a cadeia de valor: produção, multiplicação, melhoramento, processamento, embalamento, comercialização e marketing", sublinhou.

O objetivo é produzir sementes em modo de produção biológica, de alta qualidade, e trazer de volta sementes tradicionais e regionais já esquecidas em Portugal.

"A nível comercial, começamos em 2017, visto que o ano de 2016 foi de investimento. Neste momento, temos cerca de 125 variedades diferentes de sementes, sendo que mais de 70% já são portuguesas", disse.

No futuro, a empresa vai apostar na comercialização a nível mundial e quer replicar este conceito em cada país onde estiver presente, sendo que atualmente, além de Portugal, já está instalada em Espanha.

Paulo Martinho explica que o projeto tem já um investimento concretizado em Idanha-a-Nova no valor de 2,5 milhões de euros e projeta investir mais de cinco milhões de euros nos próximos cinco anos.

Contudo, adianta que das candidaturas que apresentaram há dois anos, no valor de 1,5 milhões de euros, até ao momento ainda não receberam qualquer verba: " É tudo muito bonito, mas tem que haver apoios e não vir para a televisão dizer-se que está tudo bem".

Este responsável sublinha que estão também a prestar um serviço público, uma vez que ao nível da investigação estão a fazer o melhoramento das sementes tradicionais em Portugal, uma área que antigamente era pública.

"O recado que deixo é que apesar dos nossos investidores serem suíços e alemães, somos uma empresa portuguesa. Somos uma empresa portuguesa, com portugueses, instalada no Interior. A única coisa que pedimos é que nos apoiem no sentido de crescermos. Pedimos aquilo a que nos candidatamos, como todos os outros e pedimos que percebam o interesse público que tem este projeto", concluiu.

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