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Produtores de castanha de Bragança falam em calamidade e pedem ajuda ao Governo

Logótipo de O Jogo O Jogo 09/10/2017 Administrator

A Associação de Produtores de Castanha Transbaceiro, no concelho de Bragança, anunciou hoje que vai pedir a ajuda do Governo para o que descreveu como "a calamidade" que se abateu sobre a produção devido à seca extrema. O concelho de Bragança é dos maiores produtores nacionais de castanha e a associação representa quatro aldeias, onde 160 agregados familiares contavam com o rendimento de mil toneladas deste fruto seco, que num ano normal rondaria ...

A Associação de Produtores de Castanha Transbaceiro, no concelho de Bragança, anunciou hoje que vai pedir a ajuda do Governo para o que descreveu como "a calamidade" que se abateu sobre a produção devido à seca extrema.

O concelho de Bragança é dos maiores produtores nacionais de castanha e a associação representa quatro aldeias, onde 160 agregados familiares contavam com o rendimento de mil toneladas deste fruto seco, que num ano normal rondaria 1,5 milhões de euros.

"Esta campanha será uma calamidade para os produtores de castanha e uma tragédia para a economia da região ", afirmou hoje, numa conferência de imprensa, Carlos Fernandes, presidente da associação de produtores, que vai pedir uma reunião urgente ao Ministério da Agricultura e medidas ao Governo para minimizar a situação.

Entre as medidas, a associação quer que o Governo pondere declarar situação de calamidade pública na produção do distrito de Bragança, criar uma linha de crédito para os produtores, isenção do pagamento de contribuições à Segurança Social e antecipação de subsídios.

A situação de seca extrema é a causa do problema, que não tem a ver com a falta de castanha, mas de condições para se desenvolver.

"A castanha não tem calibre, não se conserva", afirmou Calos Fernandes, acrescentando que, se não chover na próxima semana, nem a castanha mais tardia, a Longal, irá salvar-se.

O maior problema é na conservação, como observou o presidente da junta de freguesia do Parâmio, Nuno Diz, "porque a castanha cai, já não tem humidade e, se não for logo apanhada, fica pilada (seca) e é impossível comê-la".

A comercialização é outra preocupação dos produtores como Humberto Vaz que disse ter aparecido, na zona, um comerciante que dava 80 cêntimos por quilo, quando, num ano normal, a castanha nunca é paga a menos de um euro e meio.

Segundo este produtor, não há intermediários à procura da castanha como nos anos anteriores e mesmo aquela que tem alguma qualidade, não a conseguem escoar.

Para evitar as consequências maiores da seca, Humberto apanha todos os dias a castanha que vai caindo e tem mil quilos para vender, à espera de comprador.

Maria Pilar Afonso, outra produtora, disse que o que lhe querem pagar não dá para as jeiras (salário diário) das cinco pessoas que trabalham diariamente para ela.

"Queremos que, perante esta situação real de calamidade para os produtores, o Governo encontre medidas dentro das possibilidades orçamentais do Estado para atenuar os efeitos negativos desta situação perante os produtores", reiterou o presidente da associação.

Carlos Fernandes pediu também aos intervenientes no circuito da comercialização da castanha "ética, respeito e honradez", que "respeitem os produtores e que não se aproveitem para pagar a preços baixos a boa castanha que ainda vai parecendo".

Se não chover, o presidente da associação arriscou dizer que "é a perda total da produção da castanha", com o risco acrescido de no próximo ano muitos dos castanheiros nem sequer rebentarem na floração.

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