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Questões da atualidade ecoam na ópera "O Monstro no Labirinto" que se estreia em Lisboa

Logótipo de O Jogo O Jogo 26/09/2017 Administrator

Os problemas da sociedade de hoje ecoam na ópera comunitária "O Monstro no Labirinto", de Jonathan Dove, segundo a encenadora Marie-Eve Sygneyrole, em declarações à Lusa, sobre o espetáculo que se estreia na quarta-feira, em Lisboa.

"Esta é uma ópera contemporânea e tinha de fazer ecoar nela a sociedade de hoje, apesar de partir do mito grego do Minotauro. Aliás, atualiza o mito. Era por demais evidente o paralelo entre a viagem que leva os atenienses à ilha de Creta, para resgatar as suas crianças destinadas a serem sacrificadas ao monstro, como versa o mito, com a atualidade em que milhares de refugiados atravessam o Mediterrâneo, muitos perdendo a vida", disse à agência Lusa Marie-Eve Sygneyrole.

A encenadora sublinhou que, tal como os atenienses, "também os refugiados fazem a jornada cheios de esperança de um dia regressarem aos seus lares e de algum modo poderem salvar a sua própria vida e a vida da sua família".

A ópera "O Monstro no Labirinto", com versão portuguesa de Tiago Marques, estreia-se na quarta-feira, no grande auditório da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), em Lisboa, dirigida pelo maestro Quentin Hindley, e conta com a participação de cerca de 300 cantores amadores, do Coro Gulbenkian, das orquestras Gulbenkian e de Estágio Gulbenkian, sendo solistas a meio-soprano Cátia Moreso, o tenor Carlos Cardoso e o baixo Rui Baeta, com o ator Fernando Luís, como narrador.

Com libreto original de Alasdair Middleton, a ópera foi apresentada pela primeira vez em 2015, no festival francês de Aix-en Provence.

"A ópera não é maniqueísta, de bons e maus. A ideia do monstro é antes uma representação económica e social do nosso mundo atual, me que se estabelece um ditadura de alguns sobre outros", disse.

"Os próprios atenienses, do mito, dividem-se, não são os bons que vão resgatar as crianças, pois eles entregaram-nas, antes, ao monstro", referiu.

"Essas pessoas submetem-se ao poder de outros, mas, ao mesmo tempo, são monstruosos, e isso passa-se hoje, na Europa, e eu acho que esta ideia vai tocar a plateia", disse.

"Esta é uma ópera que se pode levar à cena em qualquer país, não apenas na Europa, pois a mensagem é universal e visa o coletivo, e há que ter atenção a qualquer paralelo que se possa fazer, mas desde que o público se reveja no que está assistir, demonstra que o mito transporta consigo qualquer coisa de atual", disse à Lusa a encenadora francesa.

Para Marie-Eve Sygneyrole, um dos maiores desafios da encenação passou por "evidenciar a ideia política", na abordagem da história deste mito, "que tem a ver com o nosso mundo de hoje" e, ao mesmo tempo, "coordenar 300 pessoas em palco, maioritariamente amadores", e conseguir fazer com que, todos juntos, contassem uma história.

Em relação a elementos de outras comunidades artísticas, onde a ópera foi apresentada, nomeadamente em França, onde foi estreada em 2015 - tendo sido já apresentada em três cidades -, e em Londres e Berlim, Marie-Eve Sygneyrole considerou "os portugueses mais pacíficos e com dificuldade em transmitir raiva e revolta".

Uma questão igualmente reconhecida pelo maestro Sérgio Fontão, que dirigiu a parte coral, e que a considera "ultrapassada, pois foi trabalhada durante um ano", o tempo de ensaios da ópera.

Esta ópera comunitária é um projeto encomendado pela Orquestra Sinfónica de Londres, a Fundação Filarmonia de Berlim e o Festival d'Aix-en-Provence, ao compositor britânico Jonathan Dove.

A conceção e realização do filme de animação, que faz parte da encenação da ópera, é de autoria de Mathieu Maurice.

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