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Reanimar a escultura em filme é a razão da mostra que abre hoje na Gulbenkian

Logótipo de O Jogo O Jogo 14/07/2017 Administrator

"Escultura em filme -- a própria impressão do objeto", a exposição que explora o fascínio dos artistas contemporâneos pela escultura clássica, na área do cinema, abre ao público hoje, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

A diretora do Museu Gulbenkian e curadora da exposição, Penelope Curtis, especializada na área da escultura, defende que há uma ideia do "fim da escultura" como arte, pois "não faz parte do currículo, na academia artística", acrescentando que, paradoxalmente, há um fascínio dos artistas contemporâneos por esta disciplina.

O que a exposição reúne são assim exemplos de artistas contemporâneos atraídos por escultura clássica, disse Penelope Curtis, na quinta-feira, na apresentação da mostra, acrescentando que encontra particular fascínio na forma como as pessoas que trabalham com imagem em movimento se sentem atraídas por "objetos em repouso".

"A escultura ainda está viva, ainda que em filme", defendeu a curadora, acompanhada pelos artistas, na visita guiada à exposição, um dia antes da abertura ao público.

A artista Fiona Tan, que filmou "Inventory" (2012), no Sir John Soane's Museum, no Reino Unido, não considera que a escultura esteja "de todo, morta". Disse ter-se tornado progressivamente mais fascinada por arte cada vez mais antiga.

Filmar escultura interessa-lhe, porque também a forma como trabalha com escalas e com a posição dos objetos no espaço, através dos seus filmes, se relaciona com a escultura. "Não é muito distante da minha arte", justifica.

No seu trabalho, "Inventory", Fiona Tan filmou o conteúdo do Sir John Soane's Museum com várias câmaras e perspetivas diferentes.

A realizadora justifica a escolha do local com o facto de ser um dos primeiros museus criados e, principalmente, com o facto de ter permanecido praticamente inalterado desde que Soane o fundou. É quase uma "cápsula do tempo", afirmou, "um museu dentro de um museu".

"Nude" (2015), de Michael Lewis, surgiu com um convite do museu do Louvre, que lhe deu quase três anos de acesso ilimitado ao espaço, para a realização de uma série de filmes. O quinto, que nunca chegou a ser exibido no Louvre, está agora no museu Gulbenkian.

O centro do trabalho é a escultura do "hermafrodita adormecido", que despertou particular interesse pelo impacto que ainda consegue ter nos visitantes do museu. "Apesar de já não nos surpreendemos com sexualidade complexa, a escultura continua a ser surpreendente", justificou o artista. "Vê-se as pessoas a rirem, a parecerem um pouco envergonhadas".

Lewis disse que isso acaba por dar vida à figura, que "o próprio choque cria movimento".

Também o facto de a escultura ser filmada à noite, pretende evocar a ideia de movimento. Lewis fala da ideia de os museus "ganharem vida à noite", das visitas organizadas em horários noturnos e da forma como chamas de velas sugeriam o movimento das esculturas.

O filme é silencioso, porque o realizador acredita que a música condiciona as emoções. "O som é ideológico", diz, e, além disso, "é simplesmente agradável olhar para as coisas sem barulho -- a vida é tão barulhenta".

"Ultimate Substance" (2012), de Anja Kirschner e David Panos, recupera a relação entre a Acrópole grega e o Lavrio, mina a 40 quilómetros de Atenas, que fornecia material para a moeda.

"Eu e o David trabalhamos juntos há seis ou sete anos e sempre tivemos um interesse na relação entre o concreto e o abstrato, entre filme digital e experiência corporal", e "há uma ideia muito íntima que tem sido suprimida entre ideia abstrata e realidade concreta e da realidade do trabalho, do que produz uma cultura", contou Anja Kirschner, na apresentação.

A realizadora revelou ainda que este é o primeiro trabalho em que a dupla explora o período clássico e a antiguidade.

"Tentámos pensar em que como é que poderíamos apresentar uma imagem da antiguidade radicalmente diferente daquela que tem sido representada durante o século XVIII, XIX e até durante grande parte do século XX", explica.

Também a alegoria da caverna, de Platão, adota um papel importante no filme. Anja Kirschner defende que há uma alusão à situação concreta que Platão descrevia na sua alegoria da caverna no Livro VII de "A República", dos prisioneiros que viviam encerrados na caverna e tomavam as sombras projetadas pelas chamas nas paredes pela realidade.

Essa era a realidade para os escravos que trabalhavam no Lavrio, diz, era uma história que "estava mesmo a acontecer enquanto ele a escrevia".

A obra de Anja Kirschner e David Panos, respetivamente uma artista alemã e um artista grego, oferece também um comentário acerca da relação entre os dois países, durante a crise financeira.

A exposição conta ainda com o trabalho de Rosa Barba, que filmou as reservas dos Museus Capitolinos, em Roma, e da dupla Lonnie van Brummelen e Siebren de Haan, a quem foi negado filmar o "Pérgamo do Pergamonmuseum", em Berlim, e que tentou antes reconstruir a obra, com a filmagem de várias das suas reproduções.

"Escultura em filme -- a própria impressão do objeto" tem entrada livre, a partir de sexta-feira, e vai estar no edifício principal da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, até dia 02 de outubro.

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