Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

Recursos petrolíferos foram motor de "traições australianas" a Timor-Leste - livro

Logótipo de O Jogo O Jogo 05/10/2017 Administrator

Os recursos petrolíferos pertencentes a Timor-Leste no Mar de Timor foram "motor dominante" das "sucessivas traições" da Austrália aos timorenses desde que atribuiu unilateralmente as primeiras licenças de exploração na zona em 1963, revela um novo livro.

"A reação australiana à invasão indonésia de Timor Português foi influenciada pelo seu interesse nos campos petrolíferos de Timor Gap. A Austrália tinha um interesse multibilionário em que a Indonésia ocupasse Timor Português", refere o texto.

O livro, "Atravessar a linha - A História secreta da Austrália no Mar de Timor", da académica australiana Kim McGrath indica que "os fortes interesses nos recursos de petróleo e gás do Mar de Timor foram mantidos secretos do público australiano" e dos principais aliados.

"A maioria dos australianos não faz a mínima ideia do que ocorreu. Timor-Leste é um dos nossos vizinhos mais próximos e a conduta do Governo relativamente a Timor tem sido absolutamente vergonhosa", disse McGrath, em entrevista à Lusa.

"Se os australianos soubessem as motivações que levaram à cumplicidade do nosso Governo com a história terrível dos 24 anos de ocupação de Timor-Leste ficariam horrorizados. Por isso, o Governo fez este esforço para tapar a narrativa da questão do petróleo", sustentou.

Segundo a investigadora, nas últimas décadas o Governo australiano "tem estado com mestria a criar uma história alternativa que excluiu ou pelo menos diluiu os interesses australianos nas águas ricas em petróleo do Mar de Timor".

O livro, que se baseia em milhares de documentos oficiais do Governo australiano e de outras fontes, sugere que os australianos têm dados há 50 anos que comprovavam as riquezas petrolíferas e de gás natural na zona entre Timor-Leste e a Austrália, inclusive em zonas que estão do lado que os timorenses - e Portugal e a Indonésia antes deles - reivindicam ser seu.

Só desde 2005, segundo o livro, a Austrália recolheu 1,4 mil milhões de dólares de campos petrolíferos na zona administrada conjuntamente com Timor-Leste, "mais 100% dos benefícios de outras zonas que Timor-Leste reivindica ser suas" e ainda "benefícios de 'downstream' no valor de 25 mil milhões de dólares através da unidade de LNG da ConocoPhillips em Darwin".

Reivindica ainda direitos sobre o campo do Greater Sunrise, cujo futuro - quer no que toca a partilha de recursos, quer na modalidade de exploração (um gasoduto para Darwin ou um para Timor-Leste) - é um dos aspetos que está agora a ser negociado entre Timor-Leste e a Austrália no âmbito de uma comissão de conciliação da ONU.

O livro, editado na Austrália, sugere que em 1963 a administração norte-americana de John F. Kennedy tentou pressionar a Austrália para que, em conjunto, pressionassem o então regime português de Salazar a melhorar as condições de vida dos timorenses e, depois, a permitir que tivesse, 10 anos depois uma oportunidade de autodeterminação.

"Se a Austrália tivesse apoiado a proposta de Kennedy e conseguisse convencer o regime de Salazar que era do interesse de Portugal permitir um voto de autodeterminação, os timorenses teriam votado sob supervisão da ONU em 1973", escreveu McGrath.

"Mas este cenário ameaçava o crescente interesse da Austrália nas potenciais riquezas petrolíferas do Mar de Timor. Politicamente seria mais fácil para a Austrália exercer os seus direitos a 30 milhas da costa de um poder colonial fascista e impopular do que negar esses recursos a um vizinho potencialmente independente, recentemente libertado e desesperadamente pobre", acrescentou.

Daí que, progressivamente, a Austrália tenha vindo a assentar as suas reivindicações na definição das fronteiras ao longo do que considera ser a sua bacia continental, que vai muito mais além da linha mediana entre os dois países defendida por Timor-Leste.

Um esforço que levou Camberra a recusar negociar com Portugal sobre fronteiras marítimas para Timor-Leste - Lisboa já defendia a linha mediana - mesmo quando Portugal quis o diálogo antes de, em janeiro de 1974, conceder uma primeira licença de exploração à norte-americana Oceanic Exploration.

McGrath disse ainda que quando em junho de 1974 a empresa Woodside confirmou a riqueza do campo Greater Sunrise, o Governo deu instruções "para encobrir a descoberta".

Kim McGrath insiste que os documentos mostram que Camberra acreditava que se Timor-Leste fosse integrado na Indonésia, a "Indonésia aceitaria fechar as fronteiras marítimas" dando a Camberra lucros "multibilionários".

AdChoices
AdChoices

Mais de O Jogo

image beaconimage beaconimage beacon