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REPORTAGEM: Catalunha: Defensores da unidade com Espanha esperam impacientes intervenção de Madrid

Logótipo de O Jogo O Jogo 26/10/2017 Administrator

Os partidários na Catalunha da unidade de Espanha estão impacientes para que Madrid passe a controlar o Governo regional, que consideram estar a viver numa "realidade virtual" e "surrealista" com grande prejuízo para economia da região.

"Os independentistas estão a viver uma realidade virtual numa espécie de mundo paralelo que só nos vai prejudicar", defendeu hoje, em declarações em Barcelona à agência Lusa, Felipe Moreno, um membro da Sociedade Civil Catalã, uma organização cívica que luta pela manutenção da unidade com Espanha.

O presidente do Governo catalão, Carles Puigdmont, recuou hoje a convocação de eleições regionais, depois de ao início da tarde fontes próximas do líder separatista terem revelado que se preparava para marcar uma consulta popular para 20 de dezembro próximo.

"Acho que já não sabem o que fazer e têm muito medo de ir para a prisão", continua Felipe Moreno, convencido de que, se Puigdemont declarar a independência da Catalunha no domingo, "será a instabilidade total" para a comunidade autónoma.

O Senado em Madrid deverá autorizar na sexta-feira o Governo espanhol a intervir diretamente na Catalunha com uma série de medidas para destituir o executivo catalão, tomar conta da polícia regional (Mossos d'Esquadra) e da administração pública, até à realização de eleições regionais num prazo de seis meses.

"A imprensa internacional só agora é que está a olhar mais de perto para o problema catalão, mas estes dirigentes regionais há muito que têm esta postura medíocre e pouco profissional", sustenta Moreno, que gostaria que Puigmont fosse rapidamente levado a tribunal por causa das ilegalidades que pensa ter cometido.

O divórcio entre Madrid e Barcelona terá o seu ponto mais alto na sexta-feira quando o Senado aprovar as medidas de intervenção ao abrigo da Constituição e, provavelmente no mesmo dia, Puigdemont fizer a tão esperada declaração unilateral de independência no parlamento regional.

"Tudo isto é surrealista e a farsa está a ser demasiado longa", sublinha por seu lado Ferran Brunet, que assim como Felipe Moreno pertence à Sociedade Civil Catalã.

O Governo catalão e todos os movimentos e associações separatistas defendem que a independência foi legitimada pelo referendo de 01 de outubro último, considerado ilegal pelo Estado espanhol.

Nesse dia, numa votação com uma taxa de participação de 43 % dos eleitores, votaram "sim" à independência 90 % e os "constitucionalistas" (defensores da união com Espanha) boicotaram a consulta, ficando em casa.

"Madrid está a responder demasiado lentamente e a marca Catalunha está a ser afetada e cada vez vale menos", continua Ferran Brunet, recordando que a sede social de cerca de 1.500 empresas já abandonou a comunidade autónoma.

Este catalão defensor da Constituição espanhola considera que é "indiferente" que Puigdemont declare a independência na sexta-feira porque no dia seguinte, assim como todos os membros do seu executivo, será deposto do lugar que ocupa.

A Catalunha é a comunidade autónoma mais rica de Espanha e representa quase 20 % do total produzido anualmente em Espanha, mais do que o PIB de Portugal ou da Grécia.

Brunet desfaloriza a "resistência pacífica" que os separatistas estão a pedir aos catalães, sobretudo aos funcionários públicos da região, que Madrid terá de ter do seu lado para controlar de uma forma efetiva a comunidade autónoma.

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