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REPORTAGEM: Novas e velhas migrações na rota da Tunísia para a Itália

Logótipo de O Jogo O Jogo 28/10/2017 Administrator

Os tunisinos resgatados pelo navio patrulha "Viana do Castelo" não encaixam na imagem habitual dos migrantes, muito menos dos refugiados. A rota da Tunísia é diferente. Quase não há crianças, nem idosos, nem muitas mulheres grávidas a fugir da Síria ou da Eritreia, as imagens com que fotógrafos e televisões "mostraram" a crise do Mediterrâneo, em 2014, e que tornaram Lampedusa um símbolo, com os seus campos de acolhimento a abarrotar. Também não ...

Os tunisinos resgatados pelo navio patrulha "Viana do Castelo" não encaixam na imagem habitual dos migrantes, muito menos dos refugiados. A rota da Tunísia é diferente.

Quase não há crianças, nem idosos, nem muitas mulheres grávidas a fugir da Síria ou da Eritreia, as imagens com que fotógrafos e televisões "mostraram" a crise do Mediterrâneo, em 2014, e que tornaram Lampedusa um símbolo, com os seus campos de acolhimento a abarrotar.

Também não tem havido botes pneumáticos apinhados de gente.

A experiência da tripulação do navio da Marinha portuguesa é outra.

Os barcos não são de borracha, são de madeira. E, ao longo da missão que se iniciou a 10 de outubro, já foram resgatados grupos em que, para espanto da tripulação, havia quem tivesse telefones iPhone 7 ou Huawei P10, topo de gama, e largas somas em dinheiro.

"São totalmente diferentes daquilo que estávamos habituados a ver na rota da Líbia. É uma rota em que as pessoas já tentam, muitas vezes pela terceira ou quarta vez, fazer a reentrada na Europa. Algumas delas já foram expulsas da Europa por cometerem crimes", descreve à agência Lusa o comandante do navio, Paulo Galocha.

Ainda assim, o grupo resgatado na sexta-feira -- 48 tunisinos, 46 homens, uma mulher e a filha -- é diferente.

"Neste caso [de sexta-feira], temos um misto: o migrante económico, pelo seu aspeto visual e pertences, e pessoas que já vão tentar pela segunda ou terceira vez", acrescentou.

A descrição é crua e vai além do drama dos refugiados que fizeram as notícias na crise de 2014, em que milhares de pessoas morreram tragicamente na travessia do mar.

"Temos um conjunto de pessoas que vão pela segunda e terceira vez. Temos pessoas que falam muito bem italiano e até fizeram referência que trabalharam em plantações de tomate na Sicília. São pessoas que já foram expulsas, cometeram crimes e estão a tentar entrar de novo na Europa", descreveu Paulo Galocha.

Os números da agência Frontex, de vigilância das fronteiras externas europeias, para a operação no Mediterrâneo são significativos.

Os 48 tunisinos intercetados pelo navio da Marinha portuguesa juntam-se aos mais de 106 mil migrantes resgatados desde o início do ano até 26 de outubro.

Neste período, foram identificados e detidos 241 facilitadores, responsáveis pelo transporte dos migrantes.

O número de mortes confirmadas oficialmente pela Frontex ascende a 246.

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