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REPORTAGEM: Pintar muros, limpar ruas e compor canteiros para "melhorar a saúde" de um bairro social da Covilhã

Logótipo de O Jogo O Jogo 15/07/2017 Administrator

Rita, 17 anos, sonha ser médica e já está a ajudar a melhorar a saúde do sítio onde vive: um bairro social na Covilhã, que hoje recebe uma ação comunitária para dar uma nova imagem àquele espaço.

Rita Bernardo faz parte do grupo de jovens que hoje se juntou na principal artéria do Bairro da Alâmpada, na freguesia da Boidobra, Covilhã, para pintar muros, limpar ruas e compor canteiros, numa iniciativa que também envolveu outros residentes, bem como pessoas e entidades que ali não vivem, mas que quiseram dar o seu contributo.

Munidos de vassouras, tintas, 'sprays', pincéis e rolos, os participantes meteram mãos à obra para concretizar um projeto que resulta de uma proposta dos jovens que integram o programa "Escolhas".

Apresentada ao projeto "Mundar", a candidatura foi aprovada e é agora dinamizada numa parceria entre a associação de desenvolvimento Beira Serra e a Junta de Freguesia da Boidobra, contando ainda com o apoio da Câmara da Covilhã e de um conjunto de outras entidades e empresas.

Inspirada na tradição têxtil do concelho, a ideia destes jovens ganhou o título "Cerzir o Bairro" e, tal como o verbo indica, quer ajudar a "remendar" os rasgões de um espaço com características físicas e sociais que contribuem para alguma marginalização e preconceito.

"É isso que tem de mudar e é por isso que fazemos um trabalho permanente de acompanhamento social. Mas, consideramos que, mais do que o acompanhar, é preciso incluir e envolver a comunidade naquilo que é feito. Foi, exatamente, por isso que lançámos o desafio para que as pessoas se juntassem a nós nestes trabalhos", referiu à agência Lusa Marco Gabriel, que é simultaneamente coordenador da Beira Serra e presidente da Junta de Freguesia da Boidobra.

A meio da manhã, este responsável não escondia a satisfação pelo resultado que começava a ser visível. No muro onde antes estava escrita uma frase pouco abonatória para os habitantes, já era possível ver, àquela hora, algumas das peças que compõem a obra de arte urbana que era executada pelos participantes e que conta com a assinatura da artista catalã BTOY, que se aliou a este projeto.

Com o têxtil e os lanifícios novamente como pano de fundo, o mural contribuirá para valorizar a artéria e começa a transmitir a ideia de que ali também é possível pintar o futuro com cores alegres.

"Olho para o muro e para aquelas cores e vejo a esperança, após a tempestade. Acho que chegou a hora de mudar a visão que existe deste bairro e de promover a inclusão", apontou, à agência Lusa, Rita Bernardo.

A jovem destaca ainda os efeitos positivos que esta intervenção pode ter na "autoestima" de quem ali vive.

Tiago Pontífice, 12 anos, também está confiante no resultado final da pintura que executa com empenho e rigor, apesar de não acalentar o sonho de ser artista. Na verdade, Tiago quer ser basquetebolista, ainda assim garante que "valeu a pena" largar por umas horas a bola de basquetebol para ajudar a embelezar o bairro.

Uma tarefa que também contou com Marina Leitão, 14 anos, Joana Fonseca, 15 anos, e Adolfo Mesquita, 20 anos, aos quais coube pintar a caixa de eletricidade e de telecomunicações que estão no mesmo espaço.

A poucos metros, os jovens David Torrão, Rodrigo Monteiro, Luís Torrão e Simão Saraiva dedicam-se à limpeza de canteiros.

Por seu turno, José Saraiva e Vítor Augusto, respetivamente, 64 e 69 anos, ficaram no grupo que realizou a intervenção numa praceta.

A viverem no bairro há cerca de 20 anos, responderam positivamente ao repto que lhes foi lançado porque consideram que "é importante pôr a juventude a trabalhar", assumindo que para isso "é preciso dar o exemplo".

Uma ideia partilhada por Maria Alcina Figueira, 53 anos, que deixa o apelo para que todos zelem por aquilo que foi feito.

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