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REPORTAGEM: Togo quer apostar no turismo, mas o caminho ainda é longo

Logótipo de O Jogo O Jogo 20/07/2017 Administrator

Lomé, 20 jul - O Governo togolês está a tentar combater o isolamento turístico do país, onde os atrativos são praticamente nulos, havendo a aposta na construção de infraestruturas, mas com um longo caminho ainda a percorrer, sobretudo na formação. Poucos hotéis, praias "abandonadas" e águas poluídas são reflexo da inexistência de uma preocupação turística, a par de uma inusitada segurança junto a infraestruturas, como o porto, recentemente remodelado, ...

Lomé, 20 jul - O Governo togolês está a tentar combater o isolamento turístico do país, onde os atrativos são praticamente nulos, havendo a aposta na construção de infraestruturas, mas com um longo caminho ainda a percorrer, sobretudo na formação.

Poucos hotéis, praias "abandonadas" e águas poluídas são reflexo da inexistência de uma preocupação turística, a par de uma inusitada segurança junto a infraestruturas, como o porto, recentemente remodelado, e o aeroporto, construído de raiz e concluído em abril de 2016, e até para entrar nas unidades hoteleiras da capital, Lomé.

Vários togoleses interpelados pela agência Lusa em Lomé mostraram algum receio em falar sobre questões políticas, consequência de uma repressão silenciosa de um regime que é liderado desde 1967 com "mão de ferro" pelo "clã" Eyadema, primeiro o pai, Gnassingbé (1967/2005) e, depois, o filho, Faure Gnassingbé (desde 2005).

Apesar da quase uma dezena de jornais diários, o tom da imprensa local é de pouca ou quase nula contestação ao executivo.

Abdul é taxista e há mais de 12 anos que percorre as difíceis e congestionadas ruas de Lomé. Há cinco que se dedica a esperar pacientemente nos poucos hotéis da capital togolesa, mais por empresários do que turistas.

Quando questiona o jornalista sobre qual a nacionalidade, Abdul, 32 anos, pergunta "o que é isso?" ao ouvir o nome de Portugal, que afirmou desconhecer, embora tivesse exultado ao ser-lhe realçado que o futebolista Cristiano Ronaldo é português.

O desconhecimento de Abdul é reflexo da pouca informação e formação deste pequeno Estado, entalado pelo Gana, a ocidente, Benim, a oriente, Burkina Faso, a norte, e banhado a sul ao longo de 56 quilómetros pelo oceano atlântico, e onde, segundo dados oficiosos, residirá pouco mais de uma dezena de portugueses.

O Togo, com cerca de 57 mil quilómetros quadrados, tem cerca de metade do tamanho de Portugal continental, integra uma região que, entre o século XVI e XIX, ficou conhecida como a Costa do Ouro, mas também como a Costa dos Escravos, promovida em menor escala pelos portugueses, mas sobretudo por franceses, alemães, ingleses, suecos, holandeses e dinamarqueses.

Hoje em dia, Lomé é uma cidade com cerca de 20% dos mais de 7,3 milhões de habitantes (conta com cerca de 1,6 milhões), em que o Turismo não integra as estatísticas económicas, cujas ruas têm um trânsito intenso, com milhares de motos, táxis e pesados de mercadorias, ladeados pelas centenas de pequenos mercados de rua.

O porto de Lomé é um dos mais importantes desta região do Golfo do Benim, integrado, por sua vez, no Golfo da Guiné, e, depois de perdida uma "concorrência desleal" com o de Cotonou, capital do vizinho Benim, está, aos poucos, a regressar ao auge de algumas décadas atrás, sobretudo depois da renovação e do novo aeroporto.

As autoridades do vizinho Benim viram-se confrontadas com a "perda de importância" do porto de Cotonou, graças às novas condições oferecidas pelos togoleses para escoar os produtos de pesca e agrícolas com a chegada de 12 novas companhias aéreas ao país, entre elas a portuguesa TAP, que inaugurou na segunda-feira o voo entre Lisboa e Lomé.

Em declarações à Lusa, o ministro das Infraestruturas e Transportes togolês, Ninsao Gnonfam, salientou que as autoridades locais pretendem avançar com novos projetos para atrair investimento estrangeiro, sobretudo ligados ao Turismo, destacando a segurança e a estabilidade política num país que, desde abril de 1967.

A segurança é, aliás, uma das prioridades do Governo togolês, o que pode ser exemplificado com a fiscalização policial apertada de todo e qualquer veículo que pretenda entrar no perímetro dos principais hotéis ou nos edifícios governamentais e, sobretudo, no novo aeroporto.

No entanto, a criminalidade é diminuta e o terrorismo não chegou, como Lomé temia, a entrar pelo norte do país (através das zonas remotas do sul do Burquina Faso, do noroeste do Gana ou do nordeste do Benim), onde foi colocado um importante reforço militar há cerca de três anos.

País de fracos recursos - só dispõe de fosfatos e ferro (explorados quase exclusivamente por empresas francesas) -, as autoridades ganesas querem agora apostar no Turismo para garantir mais postos de trabalho - a taxa de desemprego ronda os 45%, embora submergida pelo comércio informal - e elevar para patamares bem superiores o PIB per capita que, em 2015, se situava nos 548 dólares (aproximadamente 474 euros).

Terão, também, de proceder à limpeza das águas atlânticas que banham a costa sul, cujas belos e extensos areais não passam já de uma recordação, tal é o lixo e a sujidade, quer das areias, quer da própria água, contaminada com grandes manchas de óleo.

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