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REPORTAGEM: Venezuela: Eleições para a Constituinte são "erro" para muitos lusodescendentes (AUDIO)

Logótipo de O Jogo O Jogo 30/07/2017 Administrator

Muitos lusodescendentes mostram-se contra as eleições para a Assembleia Constituinte da Venezuela que decorrem hoje, considerando que a iniciativa vai dividir ainda mais o país.

As eleições de hoje são um "erro", afirma Daniel Freitas, comerciante de 25 anos do centro de Caracas. Nos últimos cinco anos, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do atual Presidente (Nicolás Maduro) "tem tido o poder absoluto e quer continuar enganando o povo".

O lusodescendente critica em particular as promessas feitas, "como se depois de uma Constituinte vai passar a haver alimentos, pneus, batatas ou medicamentos. Isso é uma total mentira".

Daniel Freitas insiste que "a única solução são os votos e um Presidente novo que tenha feito estudos, que saiba gerir e que faça progredir este país".

"Amanhã (depois da Assembleia Constituinte) vai haver mais escassez, mais crise, mais pessoas fazendo filas nos hospitais, procurando medicamentos, precisando de ser operadas (por questões de saúde), e simplesmente não vai haver (essas coisas), porque não há solução possível com este (atual) Governo", frisou.

"Cada dia se vende menos" e "é mais difícil. Temos (os comerciantes) que cair em mãos dos 'bachaqueros' (vendedores informais) e também dos criminosos que te matam já nem por um par de sapatos, mas apenas por uma empada", explicou Daniel Freitas, que recusa pertencer à oposição.

"Eu não vou a marchas, eu trabalho porque tenho que levar os alimentos para casa. Se eu fechar as portas ninguém vai-me levar os alimentos à casa. Se (Nicolás) Maduro vencer, não me vai chegar uma bolsa com produtos importados ", disse o emigrante, esperando que os venezuelanos "abram os olhos e acordem, porque têm um bonito país que nos está escapando das mãos".

A convocatória para a Assembleia Constituinte foi feita a 01 de maio pelo Presidente, Nicolás Maduro, com o principal objetivo de alterar a Constituição em vigor, nomeadamente os aspetos relacionados com as garantias de defesa e segurança da nação, entre outros pontos.

Ao convocar as eleições, Maduro alterou a forma de votação e as circunscrições por forma a que as zonas rurais (nas quais o regime tem mais apoio) tenham mais poder de voto que, por exemplo, a capital Caracas (onde o anti-chavismo é mais forte). Também proibiu candidaturas apoiadas por partidos (ainda que muitos dos candidatos provenham dos partidos que apoiam o governo) e a organizou a constituição do futuro órgão para que este venha a ser composto por organizações que o regime apoiou diretamente ao longo dos anos.

A oposição venezuelana, que decidiu não participar nas eleições, acusa Nicolás Maduro de pretender usar a reforma para instaurar no país um regime cubano, adiar as eleições e perseguir, deter e calar as vozes dissidentes.

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