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Revolução Russa: Arte do período foi determinante no século XX - Historiadores

Logótipo de O Jogo O Jogo 22/10/2017 Administrator

A arte do período da revolução russa foi determinante para os desenvolvimentos artísticos na arte ocidental do século XX, mas não teve impacto em Portugal, segundo historiadores de arte contactados pela agência Lusa.

Passado um século, parece ser consensual que aquele movimento estético-político, que deu origem, pouco depois, ao construtivismo, foi um dos momentos mais importantes desse século, apesar de ter durado pouco, por ter sido "abafado" pelo estalinismo.

Para o curador e historiador de arte Pedro Lapa, o que aconteceu, na altura, "foi muito mais do que fazer arte": "Foi o pensar em como fazer uma arte revolucionária que tivesse impacto na política e na sociedade", disse à agência Lusa.

"Seria algo que ultrapassaria a arte, um projeto para a vida. Foi um momento utópico, mas muito significativo", segundo Pedro Lapa, que não encontra, no entanto, ecos importantes que tenham chegado a Portugal, ou deixado marcas.

Período conflituoso iniciado em 1917, a Revolução Russa derrubou a autocracia russa e levou ao poder o Partido Bolchevique, de Vladimir Ilitch Ulianov, Lenine.

Dois anos mais tarde, como parte do contexto dos movimentos de vanguarda no país, surge o construtivismo como movimento estético e político que viria a ter uma forte influência na arquitetura e na arte ocidental, em particular na Alemanha.

Essencialmente, o construtivismo negava uma "arte pura", e visava abolir a ideia de que a arte é um elemento especial da criação humana, separada do mundo quotidiano, e que deveria, em vez disso, ser inspirada nas novas conquistas de um Estado operário, nas técnicas e materiais modernos, servindo objetivos sociais e a construção de um mundo socialista.

De acordo com o historiador Pedro Lapa, a descoberta e estudo aprofundado da arte russa desse período, no ocidente, porém, só se dá mais tarde, nos anos 1950 e 1960, e foi nessa época que alguns ecos chegaram a Portugal.

Porque, em 1917, Portugal era um país isolado, e o construtivismo - uma arte abstrata muito geométrica, vanguardista - acaba por não ter "qualquer efeito" no que os artistas criavam, na altura, no país.

No entanto, segundo o historiador, alguns portugueses olharam para a arte russa deste período, como os neorrealistas, mas nos anos 1950, como foi o caso do pintor Júlio Pomar, um dos poucos artistas em que encontra algumas influências, durante essa época.

Um único artista português que se destaca pelas influências da arte russa na sua obra, mas um pouco anterior à Revolução de 1917, foi Amadeo de Souza-Cardoso (1887--1918).

Pedro Lapa aponta que Amadeo "é um caso à parte" em Portugal, revelando nas suas obras alguns sinais do que iria "emergir" na Revolução.

"A arte de Souza-Cardoso caminha para o que vai surgir no pós-revolução", acrescenta, explicando que essa influência terá acontecido através dos contactos que teve com artistas russos em Paris, nomeadamente com Sonia Delaunay, (1885---1979) pintora, designer, figurinista ucraniana, que chegou a viver alguns anos em Portugal.

"É quase certo que tenha conhecido artistas russos, há uma semelhança, mas não existem provas, nem cartas nem outras referências", ressalvou.

Pedro Lapa realizou uma retrospetiva da obra de Amadeo em Moscovo, em 2001: "Os russos ficara mesmo muito impressionados com a proximidade do artista português à arte russa".

Helena de Freitas, historiadora de arte e investigadora da obra de Souza-Cardoso, considera que "há pesquisas que se cruzam no tempo e no espaço, mas não há influências diretas".

"Amadeo está num campo de pensamento e de ação diferente, numa ideologia conservadora. As semelhanças só existem no plano da pesquisa", sustenta, acrescentando que, no entanto, ele era uma artista em voga em Moscovo e em Berlim.

Quanto à chegada a Portugal das influências do movimento artístico que se seguiu à Revolução Soviética, considera que terá sido assimilado muito mais tarde.

"A circulação da informação era rara, e o impacto foi muito tardio. Claro que se deu uma contaminação, mas não há influências diretas", disse, acrescentando, no entanto, que, a nível internacional, a arte do pós-revolução soviética "foi um movimento fundamental que teve repercussões em vários outros movimentos" artísticos no mundo.

Questionado sobre se existem obras dos pintores russos da época em coleções portuguesas, Pedro Lapa indicou que a Coleção Berardo possui vários, entre eles Lyubov Popova e Gustav Klutsis.

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