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Ronaldo, Messi e Benfica enchem bancadas nos barracos de televisão de Bissau

Logótipo de LusaLusa 09/04/2014 Lusa

Bissau, 09 abr (Lusa) - A hora do jogo aproxima-se. Iáia Lopes, 29 anos, dá corda ao gerador e cobra os últimos bilhetes à porta de um barraco de televisão em Bissau, onde vão passar, em simultâneo, os jogos da Liga dos Campeões Europeus.

Os adeptos fazem fila, uns em tronco nu, outros com os emblemas do clube preferido, e quem consegue amealhar 200 francos CFA (30 cêntimos de euro) tem o passaporte para o “templo do futebol”.

Quatro paredes precárias (às vezes apenas uns tapumes de verga) e pedaços de zinco a fazer de teto abrigam bancos corridos sobre o chão de terra.

Duas ou três antigas televisões formam o altar em que todos fixam o olhar à espera do apito do árbitro.

Num dos países mais pobres do mundo, onde ter eletricidade é um luxo, chegam a acotovelar-se 120 pessoas nestes pequenos espaços improvisados com poucos meios, uma antena parabólica e recetores comprados em Portugal ou em países vizinhos.

TIAGO PETINGA/LUSA © 2013 TIAGO PETINGA/LUSA

Faz-se a festa como se fosse um estádio.

De telecomando na mão, símbolo de poder como guardião do recinto, Iáia sabe sempre quando é que vai ter casa cheia: "o Benfica tem muitos fãs e joga muitíssimo bem, depois toda a gente gosta de ver o Cristiano Ronaldo, assim como o Messi".

No entanto, não se livra de adeptos irritados quando alguma das televisões falha a meio de uma jogada importante.

Conta com a ajuda de um irmão mais novo nos dias de enchente e aprendeu a acalmar os ânimos - da mesma forma que aprendeu a manter sobre rodas um negócio que o deixa satisfeito, a ele e a dezenas de outros guineenses que abriram os "salões" de televisão.

"Aqui na Guiné não há nada para fazer e isto dá para desenrascar", conta Mamadu Seidi, 49 anos, noutro barraco a poucos metros de distância, onde além dos jogos também passa novelas, embora a um preço mais baixo.

Aquilo que a clientela procura é mesmo o futebol e por isso já faz planos para a exibição do Campeonato do Mundo, no Brasil, a partir de junho.

Dimas, nome pelo qual é conhecido Julião Té, tem um espaço semelhante, feito de pedaços de verga, noutro bairro onde às vezes exibe futebol ao mesmo tempo que as novelas.

Gostava de juntar dinheiro "para fazer salas separadas", mas como a crise não ajuda, instalou uma cortina a meio das "bancadas", para dividir o público.

À porta, a mulher tenta arredondar as contas do dia a vender pedaços de fruta e pastéis feitos ali, na hora, num minúsculo fogareiro.

Mesmo que os trocos extra não cheguem para as obras desejadas, o dinheiro vai dar jeito para comprar as telas de plástico com que Dimas vai ter que cobrir o telhado de zinco.

A época das chuvas começa já em maio, mas "o futebol nunca para".

A plateia parece disposta a tudo para ver futebol, até aguentar a chuva, mas ninguém lhe perdoaria se um pingo provocasse um curto-circuito quando o Cristiano Ronaldo tivesse a bola nos pés.

LFO // VM

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