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Roubo e morte dos índios "mais ricos" dos Estados Unidos contados em livro

Logótipo de O Jogo O Jogo 10/07/2017 Administrator

O livro "Assassinos da Lua das Flores", do jornalista norte-americano David Grann, agora lançado, recorda os crimes contra os índios Osage, antigos proprietários das maiores reservas de petróleo dos Estados Unidos.

A investigação de Grann, lançada na semana passada em Portugal, centra-se numa série de assassinatos com o intuito de retirar aos Osage a propriedade das jazidas de petróleo de Pawhuska, Oklahoma, e na longa investigação policial que acabou "esquecida".

O livro conta que no início da década de 1870, os Osage foram expulsos das terras originais no Kansas e que foram levados para uma reserva rochosa que, ao que tudo indicava, era desprovida de qualquer valor.

Porém, passadas algumas décadas, descobre-se que no local se encontravam as mais vastas jazidas de petróleo dos Estados Unidos.

"Para obterem o petróleo, os prospetores tinham de pagar rendas e direitos de exploração aos Osage", escreve o jornalista, acrescentando que os dividendos trimestrais para a extração de crude chegaram a atingir milhares de dólares em benefício dos índios.

No início dos anos 1920, os membros da tribo acumulavam coletivamente "milhões e milhões de dólares" sendo os Osage considerados o povo "mais rico 'per capita' do mundo", de acordo com a imprensa norte-americana da época.

David Grann explica que o "público ficou estupefacto" com a prosperidade da tribo, "que não correspondia minimamente à imagem dos índios americanos que remontava ao primeiro e brutal contacto com os brancos -- o pecado original que conduzira ao nascimento do país".

Na altura, as reportagens publicadas em todo o país referiam-se aos "plutocratas Osage" ou aos "pele-vermelha milionários", residentes em mansões de tijolo e que vestiam casacos de peles, compravam diamantes, carros e até aviões.

"Um jornalista manifestava todo o seu espanto ao ver as raparigas Osage que frequentavam os melhores internatos e vestiam sumptuosos figurinos franceses, como se belas damas das avenidas de Paris se tivessem perdido naquela pequena cidade da reserva", recorda o autor.

Paralelamente às medidas aprovadas pelo Congresso norte-americano que restringia legalmente os gastos financeiros dos índios proprietários de jazidas de petróleo, o livro centra-se nos primeiros assassinatos de membros da tribo, sobretudo de Anna Brown, por assassinos a soldo e também nos esquemas de usurpação dos bens dos membros da tribo.

"De repente, surgiu um grupo de negociantes e advogados que selecionou certos índios como suas presas. Eles tinham nas mãos todas as autoridades. Escolhiam índios que tinham grandes propriedades e os seus documentos de exploração mineira em perfeitas condições", escreve o autor do livro, lançado na semana passada.

Por outro lado, a investigação inclui documentos da Sociedade dos Índios do Oklahoma datados de 1926 e que referem, em outros aspetos, que membros da tribo Osage foram "abominavelmente assassinados" por quem queria ficar "com os seus direitos de propriedade".

Os crimes contra a comunidade de proprietários Osage -- 24 assassinatos - foram investigados por J. Edgar Hoover, mais tarde diretor do FBI, mas o processo prolongou-se durante vários anos.

Um poema Osage diz que Anna Brown, a primeira vítima, foi morta a tiro "pelo assassino da lua das flores" e conta o momento em que o corpo da membro da tribo foi encontrada por uma irmã, numa ravina perto de um ponto de extração de petróleo.

Apesar de os casos de usurpação terem sido esquecidos e os Osage obrigados a encontrar novas fontes de rendimento, incluindo sete casinos, um processo levado a tribunal, em 2011, permitiu aos índios recuperarem parte dos fundos do petróleo "mal administrados" pelo governo e que tinham sido perdidos no século XX.

Mesmo assim, muitos dos assassinatos nunca foram esclarecidos apesar da extensa documentação oficial recentemente desclassificada e que continuam a preocupar os descendentes dos antigos proprietários das mais "ricas jazidas" de petróleo.

"Como a maior parte dos americanos, quando andei na escola nunca li nada sobre tais homicídios em livro nenhum", refere David Grann, 50 anos, jornalista da revista New Yorker e também autor do livro "A Cidade Perdida de Z".

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