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Sindicato indignado com contratação de novos professores cubanos para Angola

Logótipo de O Jogo O Jogo 05/10/2017 Administrator

O Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Angola (Sinpes) manifestou-se hoje indignado por o Governo angolano prever gastar, este ano, 55 milhões de euros para contratar professores cubanos, afirmando que "este dinheiro daria maior dignidade" aos docentes nacionais.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral do Sinpes, Eduardo Peres Alberto, lamentou a situação, sustentando que "o sindicato não é contra" o ingresso de professores estrangeiros, mas que internamente "os docentes enfrentam dificuldades de vária ordem como a falta de salários e subsídios".

"Os 55 milhões euros deveriam ser investidos para os quadros nacionais, aqueles já em funções como professores, e também temos muitos quadros nacionais que foram dispensados em muitas instituições do ensino superior por falta de salários", disse.

A Lusa noticiou a 02 de outubro que Angola vai gastar quase 55 milhões de euros com a contratação de professores cubanos para lecionar no ensino superior público do país no atual ano académico de 2017, que termina em dezembro, uma ligeira diminuição face ao ano anterior.

A informação resulta de dois recentes despachos do Ministério do Ensino Superior angolano, ambos consultados pela Lusa, homologando contratos com a empresa Antex, que assegura o recrutamento de especialistas cubanos para lecionarem nas universidades do país, ao abrigo do acordo de cooperação entre os dois governos na área de formação de quadros.

Para o sindicalista, o Governo angolano deveria priorizar o concurso público para admissão de quadros angolanos capazes, como professores, doutores e mestres desempregados. Até porque, referiu, ao "convidarem estrangeiros" não se resolve o contexto de dificuldades no país: "Daí que consideramos ser uma política ineficiente".

Eduardo Peres Alberto fez ainda saber que a situação dos professores do ensino superior em Angola "continua deplorável", porque "auferem salários miseráveis", além de uma "tradição de atraso salarial desde o mês de julho".

"E como se pode ver, o salário do mês de setembro ainda não foi pago e também o corte recorrente dos subsídios que constituem uma dívida pública, a par das promoções da carreira docente há mais de 15 anos", sublinhou.

O Sinpes admitiu a 13 de setembro paralisar as aulas em outubro, porque os docentes estavam sem salários há dois meses e sem subsídios desde 2011, atribuindo a responsabilidade neste processo ao Ministério das Finanças.

O posicionamento foi expresso em conferência de imprensa pelo secretário-geral daquele sindicato, informando na altura que na mesma situação também se encontram os funcionários não docentes das instituições do ensino superior públicas do país, falando mesmo em violação dos direitos dos trabalhadores.

Questionado sobre a pretensão de avançarem para greve, o sindicalista afirmou que a "possibilidade continua patente" e que as preocupações da classe serão apresentadas hoje a nova ministra do ensino superior, tecnologia e inovação.

"Ainda hoje vamos fazer a entrega do ofício que solicita o encontro com a ministra [do Ensino Superior, empossada no sábado em funções] e não vamos recuar. Porque a gestão do sistema do ensino superior não tem sido eficiente", apontou.

As 24 universidades públicas e 41 privadas que funcionam em Angola disponibilizaram neste ano académico, iniciado em março, 111.086 vagas para o ensino superior.

Em 2016 estavam inscritos no ensino superior em Angola 241.284 estudantes, um aumento de 9,2% face ao ano anterior.

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