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Surf cresce como produto turístico em Portugal e fomenta economia todo o ano

Logótipo de LusaLusa 26/03/2017

Redação, 26 mar (Lusa) – Associações, escolas e autarquias atestam que Portugal é cada vez mais um destino de turistas praticantes de surf, que procuram aulas, provas ou experiências autónomas, dinamizando negócios durante todo o ano em diferentes zonas do país.

No Algarve, o turismo do surf “aumentou de forma muito significativa nos últimos cinco anos, impulsionando novos negócios nas áreas do alojamento, escolas da modalidade e serviços de apoio”, refere à Lusa o presidente da Associação de Escolas de Surf da Costa Vicentina, Samuel Furtado.

“Apesar de o surf ser uma atividade com maior incidência fora do período de verão, verifica-se na Costa Vicentina uma permanência de praticantes de vários países do norte da Europa, ao longo de todo o ano, com efeitos muito significativos na economia dos concelhos”, frisa.

O presidente do Clube de Surf de Viana do Castelo e responsável pelo Centro de Alto Rendimento de Surf do Cabedelo explica que também a norte “o surf é procurado todo o ano”. Entre os turistas estrangeiros, destacam-se os espanhóis, mas também holandeses e franceses.

“Desde há cinco anos que se nota maior expressividade de turistas que vêm aprender surf e ver provas, mas também há aqueles que vêm surfar autonomamente”, afirma João Zamith, lembrando, porém, que mesmo antes da chegada das companhias aéreas ‘low-cost’ havia procura nesta área.

Na Escola de Surf de Matosinhos, a Surfaventura, 70% dos clientes são estrangeiros oriundos de França, Itália e Alemanha, conta a funcionária Ercília Oliveira. A ‘explosão’ turística, para a qual contribuiu o ‘boom’ das ‘low-cost’, ocorreu nos últimos dois anos.

Já na Escola Surfgreencoast, em Espinho, 40% da clientela vem do estrangeiro, principalmente de França, Alemanha e Holanda, e a tendência é haver “cada vez mais clientes turistas”, prevê Gonçalo Pina, responsável pela escola.

Também neste caso se aponta a chegada das ‘low-cost’ como fundamental: “Com o Aeroporto de Sá Carneiro e o Porto a crescer muito a nível turístico, Espinho acaba também por crescer”.

A Figueira da Foz, que recebeu por quatro vezes a elite mundial da modalidade, tem vindo a direcionar os investimentos para as famílias que ali se deslocam e possui cerca de 150 praticantes habituais ao longo do ano, "número que no verão triplica", diz o presidente da Associação de Desenvolvimento Mais Surf, Eurico Gonçalves.

A associação, com uma das três escolas de surf que têm instalações fixas na zona da praia do Cabedelo, promove pelo quarto ano consecutivo o Gliding Barnacles, festival que junta surf, arte, música e vinho, e quer desenvolver "um produto diferenciador".

A Associação de Bodyboard Foz do Mondego, de acordo com dados de 2016, tinha 472 alunos registados, com idades entre os seis e os 64 anos, entre praticantes habituais e outros provenientes de instituições de solidariedade social, alunos estrangeiros do programa Erasmus e de municípios da região.

O presidente da direção, Nuno Trovão, afirma que a atividade "tem aumentado nos últimos anos" (cresceu cerca de 26% desde 2014). Em 2016 "não houve tanto crescimento como noutros anos, mas está estável".

No município, o surf tem vindo a fazer florescer negócios na hotelaria (nos últimos anos foram criados seis unidades, a maioria hostels) e, na vila de Buarcos, nasceu em 2010 a Janga, empresa de roupa específica e acessórios que apostou na internacionalização.

Na Nazaré, o presidente da Câmara, Walter Chicharro, fala em “bons indicadores por parte da restauração e hotelaria”, que nos dias da etapa internacional Nazaré Challenge, em dezembro, “estiveram completamente cheios”.

Registaram-se no concelho aumentos de visitas ao Farol (250 mil entradas pagas nos últimos 24 meses), de passeiros do ascensor (de 600 mil passeiros em 2013 para 900 mil em 2016) e de vendas de ‘merchandising’ da marca “Praia do Norte” (com um volume de negócios inferior a seis mil euros em 2014 e próximo dos 50 mil euros em 2016).

À boleia das ondas gigantes surgiram “novas empresas ligadas ao surf, um aumento da ocupação do Centro de Alto Rendimento”, crescendo “uma comunidade de estrangeiros, oriunda de variadíssimos países, que reside na vila, no mínimo, seis meses por ano”.

MIGUEL A. LOPES/LUSA © EPA / MIGUEL A. LOPES MIGUEL A. LOPES/LUSA

Em Peniche e na Ericeira (Mafra), as associações de escolas de surf e ‘surf camps’ indicam que a média das estadias está entre cinco e sete dias. Na Ericeira, Reserva Mundial de Surf, estima-se que existam três mil postos de trabalho diretos e indiretos no setor, 22 lojas de venda de acessórios para desportos de ondas e 11 fábricas de produção de pranchas.

Em Peniche, o presidente da câmara, António José Correia, estima em mais de 25 milhões os investimentos dos últimos quatro anos e outros novos estão a caminho, calculados em 3,5 milhões.

Nos Açores o fenómeno é motivado pelas provas de apuramento para o mundial realizadas na Ribeira Grande, a zona mais procurada.

O presidente da Associação dos Açores de Surf e Bodyboard recordou que o surf estava ligado aos clubes da ilha de São Miguel, tendo surgido em 2016 o primeiro espaço especificamente vocacionado para esta atividade. Atualmente há três, associados a empresas de animação turística que promovem aulas de surf para turistas, batismos, entre outros.

Francisco Melo estima que existam como praticantes a tempo inteiro, só na ilha de São Miguel, cerca de 250 surfistas.

DYA/JPC/CCM/JLS/FYC/JYAM/ROC // ROC

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