Ao utilizar este serviço e o conteúdo relacionado, concorda com a utilização de cookies para análise, anúncios e conteúdos personalizados.
Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

Tancos/Armas: Ministro da Defesa ouvido sexta-feira no parlamento

Logótipo de O Jogo O Jogo 06/07/2017 Administrator

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, vai responder na sexta-feira no parlamento sobre o furto de material de guerra nos Paióis Nacionais de Tancos, Santarém, três dias depois de o CDS-PP ter pedido a sua demissão do cargo.

Azeredo Lopes vai ser ouvido sobre este caso, a partir das 16:00, na Comissão Parlamentar de Defesa Nacional, numa audição proposta pelo PSD e CDS-PP e aprovada por consenso entre todas as bancadas dos partidos representados na Assembleia da República.

O titular da Defesa comentou o furto da base de Tancos logo no dia em que foi comunicado publicamente pelo Exército (29 de junho), a partir de Bruxelas, numa altura em que a lista completa do material roubado ainda não era conhecida, o que, aparentemente, veio a acontecer através de um jornal espanhol.

"Evidentemente é um facto grave, não vale a pena estar a desvalorizar esse facto. É sempre grave quando instalações militares são objeto de ação criminosa tendente ao furto justamente de material militar", para mais quando "não foi roubada uma pistola, não foram roubadas duas, foram roubadas granadas", disse.

O ministro, que falava aos jornalistas à margem de uma reunião ministerial da NATO, em Bruxelas, disse que, "evidentemente", Portugal iria informar os seus parceiros do ocorrido e garantiu que, a par das investigações já em curso -- "a questão ficou imediatamente sob alçada da Polícia Judiciária militar e da Polícia Judiciária, e a partir de agora das diferentes instâncias de investigação criminal", apontou -, a questão da segurança do material militar será assunto de debate com as chefias militares.

"Vamos evidentemente informar através da Intel os nossos congéneres, porque estamos a falar de um espaço sem fronteiras, e por isso é nossa obrigação dar conta do desaparecimento desse tipo de material (...) e do ponto de vista da Defesa nacional, tenho a intenção de solicitar às chefias militares que falemos sobre o assunto, que possamos desenhar um plano para verificar quais são, e se existem plenamente, as boas práticas quanto a este assunto do material militar e eventualmente até envolver, se for esse o caso, a Inspeção-Geral de Defesa Nacional", declarou.

Em 30 de junho, o Exército revelou que entre o material de guerra roubado dos Paióis Nacionais de Tancos estão "granadas foguete anticarro", granadas de gás lacrimogéneo e explosivos, mas não divulgou quantidades.

"Para além das granadas de mão ofensivas e das munições de 9mm, foram também detetadas as faltas de "granadas foguete anticarro", granadas de gás lacrimogéneo, explosivos e material diverso de sapadores, como bobines de arame, disparadores e iniciadores", indicou então o Exército.

O caso transformou-se em assunto político de relevo, suscitando o interesse do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e dos partidos políticos, entre os quais o CDS, que viria a pedir a demissão do ministro da Defesa e da titular da Administração Interna, na sequência das mortes no incêndio de Pedrogão Grande.

Marcelo Rebelo de Sousa exigiu "uma investigação total" no caso do furto de Tancos, "doa a quem doer e não deixando ninguém imune", já depois de a líder centrista ter pedido da demissão dos titulares das pastas da Defesa e da Administração Interna por não terem conseguido "estar à altura das suas responsabilidades".

"As demissões são inevitáveis e temos de o dizer sem hesitações e sem rodeios: senhor primeiro-ministro, volte e demita-os", exigiu Assunção Cristas, após ser recebida, a seu pedido, em Belém pelo Presidente da República, e numa altura em que o chefe do Governo, António Costa, se encontrava ausente do país, em gozo de férias.

Na sequência do incidente, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, exonerou temporariamente os cinco comandantes da base da Tancos até serem concluídas as averiguações.

"Não quero que haja entraves às averiguações e decidi exonerar os cinco comandantes das unidades que de alguma forma estão relacionadas com estes processos", justificou então Rovisco Duarte.

Ao mesmo tempo, O Exército informou que foram reforçadas as medidas de segurança nos Paióis Nacionais de Tancos e determinadas inspeções a estes paióis e aos de Santa Margarida.

Os partidos convergiram na necessidade de um apuramento de responsabilidades e de serem tomadas medidas de segurança para que não voltem a acontecer casos semelhantes, tendo o PCP, através de Jerónimo de Sousa, defendido que é preciso serem "retiradas consequências".

A audição ao ministro da Defesa deverá decorrer à porta aberta, mantendo-se a possibilidade de fechar a reunião à comunicação social se surgir algum motivo que o justifique.

O PSD, através do deputado Bruno Vitorino, considerou que o furto nas instalações militares de Tancos é uma situação "sem paralelo" que afeta a credibilidade do país e que configura uma tipologia de crime "muito complexa com consequências inimagináveis".

O furto foi também classificado como um caso de "enorme gravidade" pelo PS. O deputado socialista José Miguel Medeiros disse que a situação exige "todas as explicações, o apuramento de tudo o que se passou e a garantia de que foram tomadas todas as medidas necessárias para que não se volte a repetir".

O BE sustentou que a situação "é gravíssima" e implica que devem ser apuradas todas as responsabilidades "custe o que custar e doa a quem doer", segundo o deputado João Vasconcelos, que apontou já algumas ilações.

"O Estado chegou a uma situação muito difícil que levou a uma decapitação dos serviços públicos, a uma decapitação das Forças Armadas pelo anterior governo", sustentou.

Do lado do PCP, o deputado António Filipe defendeu que a gravidade do furto demonstra "o estado de degradação a que as Forças Armadas foram conduzidas".

Já o CDS, através do deputado João Rebelo, apressou-se a pedir a audição de Azeredo Lopes, antes de a presidente do partido reclamar a sua demissão.

"Achamos este assunto gravíssimo, não é o primeiro que acontece", João Rebelo, no parlamento, recordando que houve um furto de armas ligeiras à PSP no início do ano.

AdChoices
AdChoices

Mais de O Jogo

image beaconimage beaconimage beacon