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Tecnologia portuguesa consegue "ver" interior de obras de arte e controlar conservação

Logótipo de O Jogo O Jogo 28/09/2017 Administrator

Uma 'startup' portuguesa desenvolveu uma tecnologia para obter informações sobre o interior das obras de arte, através da análise multiespectral, permitido verificar os materiais que as compõem e ter um maior controlo ao nível da conservação e restauro.

A análise multiespectral "explora as características que os materiais possuem em refletir, absorver e emitir radiação eletromagnética, que dependem da composição e forma molecular", indicou à Lusa António Cardoso, diretor executivo da startup' (empresa de base tecnológica em fase de desenvolvimento) XpectralTEK, sediada em Braga e incubada no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC).

"Sabendo que cada substância possui uma refletância ou fluorescência típica, como se de um bilhete de identidade se tratasse, torna-se possível obter informação sobre as obras que, à vista desarmada, não seria possível", explicou.

Com esta tecnologia, segundo o responsável, os utilizadores conseguem antecipar consideravelmente os danos e a evolução das reações químicas que qualquer superfície está a sofrer - muito antes de isso se tornar visível -, caracterizar os materiais e identificar as substâncias invisíveis.

A análise multiespectral ao património cultural possibilita a atuação na fase de diagnóstico, com a localização, leitura e análise da informação escondida, onde se consegue perceber o que está por trás da pinturas, quantificar as vezes que o quadro já foi pintado, bem como os vários materiais utilizados.

Durante as intervenções de conservação e restauro das superfícies, possibilita a classificação e o mapeamento dos pigmentos e substâncias, visíveis ou não, o controlo dos processos de limpeza e a identificação da compatibilidade dos materiais.

Já na monitorização, através da realização de várias leituras espectrais em tempos diferentes, esta tecnologia permite detetar e prever as alterações que possam levar à degradação das obras, bem como a evolução de qualquer superfície, ao longo do tempo.

Atualmente, "há um investimento considerável ao nível de museus em todo o mundo e uma das áreas mais investidas esta relacionada com a substituição da iluminação desses espaços para sistemas LED, no entanto, temos vindo a descobrir que esse sistema danifica bastante os pigmentos", indicou António Cardoso.

Esta tecnologia de diagnóstico, não invasiva e não destrutiva, pode também ser aplicada nas áreas da agricultura e da indústria, principalmente na qualidade de controlo.

"Na área da agricultura, basicamente conseguimos falar com as plantas", disse o diretor executivo, referindo que a tecnologia consegue atuar nas questões relacionadas com a hidratação, com os nutrientes necessários para a planta crescer de forma saudável e com as infestações.

Na indústria, a tecnologia é utilizada nas áreas farmacêutica e automóvel.

"Até agora, havia muitos processos controlados pelo humano, mas também muitas falhas e, com esta tecnologia, conseguimos substituir isso por sistemas inteligentes", acrescentou.

A tecnologia nasceu no laboratório de gestão e conservação na área de diagnóstico não invasivo da empresa Signinum - Gestão de Património Cultural, que criou a 'startup' XpectralTEK, dedicada à criação de soluções de visão artificial com base em imagem multiespectral.

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