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Terrenos de 60 proprietários na 1.ª fase do novo corredor florestal em Arouca

Logótipo de O Jogo O Jogo 04/10/2017 Administrator

A primeira fase do novo corredor florestal de Arouca, com árvores resilientes ao fogo, já está a ser implementada ao longo de quatro quilómetros da Estrada Regional 326-1, envolvendo 60 proprietários que disponibilizaram várias faixas de terreno.

A medida resulta do projeto-piloto com que a Câmara Municipal se propõe testar ao longo daquela estrada, por um período de 10 anos e numa extensão total de 12 quilómetros, a forma como as espécies arbóreas menos combustíveis ajudarão a evitar a propagação de incêndios.

A experiência decorre em terrenos cujos proprietários entregaram à autarquia a gestão dessas faixas de 10 metros de largura por extensões variáveis de comprimento, consoante a dimensão das respetivas frentes para a estrada, e tanto os procedimentos técnicos da operação como a respetiva monitorização científica estão a ser conduzidos pela Associação Florestal do Entre Douro e Vouga.

"A tarefa mais difícil nesta altura é a erradicação de eucaliptos, que exigem uma atitude muito incisiva porque têm um poder de rebentação muito grande", revelou à Lusa o engenheiro Pedro Quaresma.

"Temos que aplicar-lhes um herbicida na toiça e, quando ela começar a rebentar novamente, repetimos o procedimento mais duas ou três vezes consoante a idade e o vigor do eucalipto", explicou, referindo que a madeira cortada é entretanto entregue aos devidos proprietários.

Uma vez erradicada com sucesso essa espécie (cujos exemplares disponíveis nos quatro quilómetros agora intervencionados "são na sua maior parte de geração espontânea"), passa-se então à plantação das novas árvores, estando previstos castanheiros, carvalhos e cerejeiras para as zonas mais húmidas e sombrias, assim como medronheiros e sobreiros para as mais secas e expostas ao sol.

"Ao escolher as árvores para cada terreno, estamos a tentar conseguir um equilíbrio entre as expectativas dos proprietários e aquilo que realmente se pode fazer no tipo de solo em causa", afirmou António Brito, técnico da Divisão de Ambiente da autarquia, admitindo que nem todas as espécies são adequadas ao declive existente, por exemplo, e que as respetivas variações de preço no viveiro também podem ir "dos 80 cêntimos aos 17 euros".

Em todo o caso, serão plantadas 3.200 árvores só nestes primeiros quatro quilómetros de intervenção e o objetivo é que, ao fim de 10 anos, os terrenos agora reordenados as possam exibir já com dois a 10 metros de altura. Caso a experiência se revele bem-sucedida, o mesmo programa de reflorestamento alarga-se ao resto do concelho, nessa altura já com os proprietários a assumirem por si próprios os custos da operação.

"Arouca tem 26.000 hectares de floresta dispersa pelo município, que tem quase 330 quilómetros quadrados. E, se em 2005 perdemos 42% dessa área, no ano passado perdemos 62%", recordou José Artur Neves, o presidente da Câmara Municipal agora em final do seu terceiro mandato.

"Para que isso não se repita, começámos com este troço de grande visibilidade que é a estrada até aos Passadiços do Paiva, mas o que queremos é que todas as estradas do território funcionem no futuro como um corredor ecológico que trave o avanço do fogo em caso de novos incêndios", afirmou.

Avelino Barbosa, dono de cerca de 1.000 metros de terreno abrangido pelo projeto, não tem grandes expectativas: "Não acredito que as árvores só por si consigam assegurar a contenção do fogo, mas ao menos isto vai tornar todo o circuito de intervenção mais agradável à vista".

Proposta alternativa, por enquanto, esse proprietário não tem. Sofreu prejuízos significativos com o incêndio de 2005 e perdeu quase todos os seus eucaliptos e pinheiros no ano passado, pelo que agora, perante terra "sem nada", confessou: "Tenho que pensar muito bem. Quem vive disto tem que fazer uma reflexão séria sobre o assunto".

Após a plantação das árvores, que terá início a 20 de outubro e se prolongará até março, a segunda etapa de concretização do novo corredor florestal de Arouca deverá avançar em setembro de 2018 - novamente antes da época de plantio. Nessa altura o trabalho irá envolver uma extensão de seis quilómetros e terrenos de mais 35 proprietários.

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