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Tiago Machado: da notícia pelo Whatsapp aos sonhos para o Tour

Logótipo de O Jogo O Jogo 29/06/2017 Hugo Monteiro

O ciclista soube pelo irmão que estava na lista da Katusha Alpecin.

Tiago Machado (Katusha Alpecin) recebeu a "meia surpresa" de estar na Volta a França de braços abertos e, agora, o único ciclista português presente na 104.ª edição, mostra-se preparado para tentar a sua sorte numa das 21 etapas da prova.

"Foi uma meia surpresa. Estava na lista dos 12 pré-selecionados e só vão nove. Quando surgiu a confirmação de que eu iria estar, senti que foi o reconhecimento do trabalho que tenho feito em prol da equipa. Fiquei muito contente, como é lógico. Ao Tour só vão os melhores e todos querem lá estar. Posso dizer que sou um privilegiado, porque já vou para a minha terceira participação", começou por dizer à agência Lusa.

A boa-nova chegou-lhe via Whatsapp, com o sempre atento irmão Fábio a anunciar-lhe que constava do vídeo dos nove que a Katusha Alpecin publicou no Instagram.

"Para ser sincero, acho que nunca pensei nisso ao longo da temporada. Se fosse [ao Tour], ficava muito contente, mas se não fosse já estava mentalizado. Agora é tentar estar o melhor possível, porque já ando desde novembro a apertar. Acredito que poderei fazer uma boa prova e estar com os melhores... [ri-se] com os melhores a trabalhar, porque eu tenho noção da realidade", brincou o corredor famalicense.

© Ivo Pereira/Global Imagens

Tiaguinho, como é conhecido no meio velocipédico, não tem pudor em afirmar que, na terceira participação, gostava de deixar a sua marca numa das etapas deste Tour, que vai para a estrada no sábado, em Düsseldorf, na Alemanha, e termina a 23 de julho, em Paris.

"O objetivo principal é chegar a Paris. Agora, o que ambiciono é tentar fazer o que tenho feito nas outras provas, dar tudo pela equipa. Depois, sei que durante 21 dias todos temos a nossa oportunidade. Quando a equipa me der liberdade, que eu tenha pernas e capacidade para fazer alguma coisa bonita. Era o que eu mais desejava. Se nós não acreditássemos que poderíamos ganhar etapas, não valia a pena pôr o dorsal todos os dias", defendeu.

Para trás, com a presença na 104.ª Volta a França, Machado deixa definitivamente uma temporada de má memória, que o levou a começar praticamente do zero em 2017.

"O ano de 2016 não é exemplo, porque quando surgem adversidades -- lesões, doenças -- não há muito mais a fazer. Acho que o meu erro no ano passado foi não parar e ver o que estava errado, mas penso que ainda fomos a tempo, porque, no final da época, as pessoas que trabalham comigo sentaram-se à mesa e disseram-me o que tinha de ser mudado e o porquê de o rendimento não ser o esperado. Solucionámos isso e temos noção de que este ano estamos a correr atrás do prejuízo e acho que este tipo de trabalho que a equipa me tem posto a fazer é com o objetivo que eu sofra um pouco mais para voltar à condição que eles reconhecem que eu tenho", analisou.

Mas este voto de confiança da Katusha Alpecin também vai permitir ao combativo português, de 31 anos, reescrever a sua atribulada história na Volta a França: na estreia, em 2014, caiu na décima etapa, quando era terceiro da geral, entrou na ambulância, foi dado como desistente, mas voltou à estrada, merecendo uma repescagem por parte da organização, e, no ano seguinte, viu o então líder da equipa, o espanhol Joaquim Rodríguez, criticar a sua prestação no contrarrelógio por equipas.

"Em relação à primeira edição, não posso estar a ficar triste, porque até ter tido aquele azar estava com os melhores, estava com boas pernas. Não posso dizer que tenha sido uma má edição. Na segunda... o Rodríguez podia dizer o que quisesse, não era ele que me pagava o vencimento ao final do mês, portanto não estava preocupado. Agora, vou para o meu terceiro Tour, porque a equipa vê que eu dou tudo em prol do grupo. Talvez esteja aí a resposta às críticas que foram feitas em 2015", argumentou.

Único representante nacional na maior montra do ciclismo mundial, Machado não esquece aqueles que o acompanharam noutras aventuras na Volta a França e que tanta falta lhe vão fazer na 104.ª edição.

"Claro que vou ter saudades dos meus grandes amigos, o Zé [Mendes] e o Nelson [Oliveira]. São aqueles com quem mais falo, muitas vezes estão lá quando as coisas correm menos bem. Basta relembrar que, quando caí, foram os únicos a mandarem-me mensagem a perguntar como eu estava", recordou o ciclista, que só quer chegar a Paris sem quedas: "Era o ideal".

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