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Timor-Leste/Eleições: Cidadãos timorenses cresceram mais que os líderes -- Taur Matan Ruak

Logótipo de O Jogo O Jogo 16/07/2017 Administrator

Taur Matan Ruak, ex-Presidente da República timorense e líder e uma nova força no palco político de Timor-Leste, disse hoje que os cidadãos timorenses cresceram mais do que os líderes, sobretudo os históricos, a quem deram uma "grande lição".

"Muito mais. Os cidadãos cresceram muito mais do que os líderes, o que me admira. Eu estou muito feliz com isso. Deram uma grande lição aos líderes, sobretudo aos líderes históricos", disse em entrevista à Lusa na sede do Partido de Libertação Popular (PLP) em Díli.

A conversa decorre quando, no exterior da sede, no bairro de Vila Verde no centro de Díli, se amontoam veículos carregados de apoiantes que se deslocam para o comício que o partido tem em Tasi Tolo, nos arredores da capital.

Depois de cinco anos como chefe de Estado, em que percorreu todos os sucos do país (equivalente a freguesias) Taur Matan Ruak diz sentir "orgulho em liderar um partido novo, pequeno, mas que tem toda a força para competir no plano político" em Timor-Leste.

O mote do partido para as eleições legislativas de sábado é "vota pela mudança, vota por uma vida melhor", uma aposta num "novo futuro", mas que mantém os vínculos ao passado.

A imagem de Taur Matan Ruak guerrilheiro, de boina vermelha, cabelo e barba grande - foi o último comandante das Falintil, o braço armado da resistência timorenses - está nas t-shirts de muitos, enquanto a sua foto mais institucional, de fato e gravata e cabelo curto domina o símbolo que surge em 12º lugar no boletim de voto.

O símbolo do partido em si - em que predominam o verde da esperança e o azul "do sonho" - é dominado por um 'lorico', uma catatua, que na mística política timorense está associado à luta contra o poder dominante.

Abílio Araújo - fundador da Fretilin, hoje empresário e que tem acompanhado vários atos de campanha do PLP -, explica à Lusa que a ideia do lorico é, em parte, inspirada num livro seu sobre os "loricos que voltaram a cantar".

A ideia, disse, é que os loricos que se esconderam depois do falhanço das lutas contra a administração portuguesa, ressurgiram depois em 1974 com a Fretilin e o seus ideais.

"O PLP considera que esses ideais, esses programas, esses valores, não foram concluídos. E que por isso devemos retomar os valores de 1974/75. Esta é uma nova vaga de loricos", disse.

Com o ex-guerrilheiro e ex-Presidente estão alguns outros ex-combatentes, incluindo o mítico L-7, Cornélio Gama ou "Jibóia Grande", um homem que garante que a 25 de julho de 1989, algures na montanha da ponta leste de Timor-Leste, lhe apareceu S. José.

A visão levou-o a fundar a Sagrada Família, organização que se tornou mítica no país, ainda que nem sempre por bons motivos.

Hoje diz que está com Matan Ruak. "Sempre estivemos ao lado um do outro. Durante 24 anos unidos" a lutar contra a ocupação indonésia. O PLP, explica à Lusa, é o "partido do futuro" que "quer libertar o povo".

Taur Matan Ruak insiste que os Governos até aqui têm falhado "em muitos aspetos", pecando porque "concentram demasiado o poder, os recursos e os privilégios".

O povo, disse, quer "ver resolvidos os seus problemas imediatos, básicos, que afetam a vida no dia-a-dia e depois querem ser parte do processo da construção do país, do desenvolvimento económico do país".

"Essas são as exigências mais básicas que a população tem insistido junto de mim durante o meu mandato nos últimos cinco anos", insiste.

Sem querer tecer grandes comentários sobre potenciais resultados eleitorais ou cenários, Matan Ruak diz que "vitória é o povo participar nas eleições e determinar o seu futuro", ainda que deixe no ar o cenário que considera adequado.

"Já deram o privilégio à Fretilin de governar cinco anos, o CNRT governar e os dois partilharem os últimos 10 anos. Eu acho que é a vez do PLP governar nos próximos cinco anos", disse.

Aceitar ou não participar num Governo de inclusão é que "apesar de não ser impossível" parece "mais difícil", especialmente por considerar haver "grande diferença nos programas do seu partido e das forças mais fortes, CNRT e Fretilin.

"O PLP opta por resolver, atender, responder às necessidades básicas, enquanto CNRT e Fretilin concentram-se em dois grandes polos de desenvolvimento, Oecusse e costa sul", disse.

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