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Três anos após o 'Occupy' a resistência em Hong Kong está a passar à clandestinidade -- Autor

Logótipo de O Jogo O Jogo 03/10/2017 Administrator

O autor de um novo livro sobre o movimento pró-democracia em Hong Kong defende que, três anos após a ocupação das ruas em prol do sufrágio universal, a resistência ao governo está a ser empurrada para a clandestinidade.

Da autoria de Kong Tsung-gan, "Umbrella, a Political Tale From Hong Kong" foi lançado em setembro. O livro aborda o movimento pró-democracia que paralisou várias zonas da cidade durante 79 dias, desde 28 de setembro de 2014, conhecido por 'Occupy' ou 'Umbrella Revolution [Revolução dos Guarda-Chuvas].

Considerada a maior crise política na antiga colónia britânica desde a transferência do exercício de soberania para a China, em 1997, a ocupação das ruas terminou sem que Pequim cedesse às exigências dos manifestantes para a eleição do líder do governo de Hong Kong por sufrágio universal.

Em entrevista à agência Lusa, o autor considera que a cidade vive hoje uma "situação complicada" e de "crise permanente" porque "o sistema político em Hong Kong colapsou".

"Pode não parecer, porque quando as pessoas chegam a Hong Kong tudo parece funcionar, mas o problema é que, de um lado temos o Partido Comunista [Chinês], que negou o sufrágio universal (...), e do outro temos as pessoas que estão a reivindicar a defesa dos seus direitos e que querem a verdadeira democracia", afirma, sublinhando que "há um enorme fosso entre os dois lados".

Kong Tsung-gan argumenta que desde o fim do 'Occupy', o Partido Comunista Chinês "tem vindo a endurecer" a política para acelerar a integração da cidade sob o sistema chinês, antecipando na prática o fim do período de 50 anos em que vigora o princípio "Um país, Dois sistemas", ao abrigo do qual são mantidas garantias e direitos fundamentais não existentes na China continental.

"Temos a 'continentalização' a acontecer, e ao mesmo tempo assistimos a um período em que a cultura democrática está a crescer", contextualiza.

"A lição que o Partido Comunista aprendeu com o movimento dos Guarda Chuvas é que tem de ser mais severo e, portanto, está a tornar-se mais duro e tem este plano de 'continentalizar' Hong Kong", afirma.

O autor e ativista aponta áreas como "o sistema judiciário e as universidades, que até há uns anos estavam entre as mais independentes", como aquelas sobre as quais "Pequim está agora a tentar exercer um maior controlo".

"Tudo o que o Partido Comunista tem feito para aumentar o controlo sobre Hong Kong tem enfrentado uma resistência bastante forte", considera.

Nesse sentido, refere, por exemplo, no ano passado, a reação nas ruas à decisão de Pequim de interpretar a Lei Básica (miniconstituição) para desqualificar dois deputados pró-independentistas.

Também recorda a manifestação de 20 de agosto contra a prisão, dias antes, de três dos jovens líderes da "Umbrella Revolution" Joshua Wong, Nathan Law e Alex Chow, atualmente a cumprir penas entre seis e oito meses.

Não obstante, Kong Tsung-gan observa que além da frustração, sobretudo entre os jovens que participaram nas grandes manifestações pró-democracia de 2014, o reforço do controlo dos executivos de Hong Kong e de Pequim está a levar a luta política a outros caminhos além das ruas.

"Há muito medo e intimidação em Hong Kong, mas não penso que isso leve necessariamente ao fim da resistência. Penso que isso empurra a resistência para a clandestinidade e leva as pessoas a fazerem as coisas de forma mais secreta", disse.

Kong Tsung-gan recorda, nesse âmbito, o aparecimento de faixas pró-independência nos 'campus' de algumas universidades no início do corrente ano letivo.

"O mais impressionante é que estas faixas apareceram de forma anónima. Ninguém sabe quem as colocou. O que é que isto mostra? Por um lado, mostra que alguém quer a independência de Hong Kong, por outro mostra que alguém não se sente confortável em dizer isso abertamente", argumenta.

Após o 'Occupy', o bloco pró-democracia ficou dividido, com a emergência de novos grupos políticos, conhecidos por acusarem os democratas de serem demasiado moderados e por defenderem ações mais radicais.

Alguns jovens designados "localistas" defendem a autodeterminação da cidade, e nalguns casos, até mesmo a independência -- um tema tabu, tanto para o governo central, como para o local.

O pós-'Occupy' tem sido marcado maioritariamente por uma resistência pacífica, à semelhança do bloqueio das ruas em 2014.

Ainda assim, há quem fale em radicalizar as ações na luta política, diz Kong Tsung-gan: "Não sei se devo entrar muito nesta questão, mas tenho ficado surpreendido nos últimos meses pelo número de jovens com quem me tenho cruzado que falam seriamente em pegar em armas. Para mim este tipo de conversa é uma loucura".

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