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Trabalhadores da empresa estatal angolana sem salários há 46 meses mantêm vigília

Logótipo de O Jogo O Jogo 14/07/2017 Administrator

A Empresa Nacional de Pontes de Angola voltou esta semana a não pagar os salários em atraso, problema que se arrasta há 46 meses, denunciaram os trabalhadores, que se declaram desesperados com a situação.

A posição foi manifestada pelo coletivo de trabalhadores daquela empresa pública, que cumpriram mais uma semana de vigília nas instalações da empresa, reclamando pelo pagamento dos salários e perante a promessa da administração, que previa liquidar os valores em atraso até hoje.

"A situação está crítica, lamentável. As pessoas dizem que a empresa tem dinheiro, mas a empresa não disponibiliza o dinheiro aos trabalhadores. Aqui estamos a morrer de fome", desabafou Manuel Jerónimo, de 38 anos.

Funcionário da empresa há 12 anos, afirma que as lamentações dos 400 trabalhadores têm vindo a crescer de tom, dado o incumprimento das promessas feitas pela direção da empresa.

"Prometeu que pagaria esta semana os salários, mas até agora ele não o fez. E hoje estamos aqui à espera e nada, não sei como ficamos", atirou.

Em declarações hoje à Lusa o diretor geral da Empresa Nacional de Pontes de Angola, José Henriques, disse que o pagamento dos salários está a ser feito de forma paulatina, assegurando que alguns pagamentos à empresa foram já concretizados.

"Estamos a trabalhar nisso. Eu vou pagar os salários mediante as receitas que eu for recebendo. Estamos a pagar", assegurou.

Anteriormente, o responsável disse que a empresa começou a receber pagamentos em atraso de obras, o que permitiria liquidar salários em atraso até ao final desta semana.

Na província de Luanda "as verbas caíram do BPC [Banco de Poupança e Crédito], que está a transferir os valores para a nossa conta num banco comercial e então tão logo o banco nos confirme a receção dos valores vamos começar a processar os salários aqui". Acrescentou em declarações feitas hoje.

Neste cenário, os trabalhadores pretendem manter a vigília, em protesto, como conta Conceição Bernardo, há 30 anos na Empresa Nacional de Pontes de Angola.

"A promessa não foi cumprida e os trabalhadores estão nervosos e chateados. É difícil o diretor conversar com os funcionários, quando vem, entra para o seu gabinete e sai sem nenhuma informação aos trabalhadores. E até hoje não cumpriu com a promessa", criticou.

Indignação corroborada por Maria Fernanda, de 61 anos: "Não sabemos onde gritar mais, estamos a depender da direção da empresa. Hoje é sexta-feira e a promessa não foi cumprida e perguntamos em que pé vai ficar o salário".

De acordo com o diretor da empresa pública, a situação salarial da empresa já se arrasta desde 2011 e a grande condicionante da instituição tem sido a falta de empreitadas para dar suporte e cobrir os salários.

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