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Trabalhadores da TACV marcham para exigir direitos a três dias de fim dos voos domésticos

Logótipo de O Jogo O Jogo 28/07/2017 Administrator

Cerca de uma centena de trabalhadores da transportadora aérea pública cabo-verdiana TACV manifestaram-se hoje, na cidade da Praia, para exigir os seus direitos, respeito e informação, a três dias do fim das operações domésticas.

Na próxima segunda-feira, a companhia fecha a operação doméstica, num processo de reestruturação em que os voos inter-ilhas passam a ser assegurados em exclusivo pela Binter Cabo Verde, em cujo capital o Estado cabo-verdiano entrará com 49%.

O processo tem causado muita polémica em Cabo Verde e descontentamento dos trabalhadores, que exigem informação quando aos despedimentos, indemnizações e também como será feita a incorporação de boa parte destes na Binter.

O Governo ainda não avançou números, mas o presidente do Conselho de Administração, José Luís Sá Nogueira, disse que a reestruturação da TACV vai implicar o despedimento de 260 pessoas, o equivalente a quase metade dos trabalhadores.

A marcha, que teve concentração em frente à sede da empresa, no centro histórico da cidade da Praia, percorreu cerca de um quilómetro até uma paragem à entrada da Biblioteca Nacional, na Várzea, onde decorria o debate sobre o Estado da Nação.

Durante o percurso, os trabalhadores empunharam, colaram nas costas e no peito vários cartazes, onde se mostraram de acordo com a reestruturação, mas não com o "desmantelamento".

Ao som de batucada e de megafone, os trabalhadores escreveram também que a situação atual da empresa é "fruto de má gestão e de políticas inadequadas", pelo que são de acordo com a privatização da empresa, mas "com garantia dos direitos".

No percurso, os funcionários contaram com apoio da secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores Cabo-verdianos - Central Sindical (UNTC-CS), Joaquina Almeida, que empunhava um cartaz a dizer que a maior central sindical do país está "sempre com os trabalhadores".

Em frente às instalações provisórias do parlamento, os trabalhadores fizeram mais barulho, tendo alguns deputados saído à rua para ver o descontentamento dos funcionários da companhia aérea pública cabo-verdiana, com 59 anos de existência.

Em declarações aos jornalistas, o porta-voz e membro da comissão de trabalhadores, José Pedro Lopes, manifestou estranheza pelo "muito secretismo" com que o assunto está a ser tratado, afirmando que os funcionários "não foram tidos nem achados" em todo o processo.

José Pedro Lopes disse que os trabalhadores "não têm muita coisa a fazer", mas esperam que o Governo e a administração apresentem "em tempo útil" todas as informações do negócio.

"Nós estamos preparados para todo e qualquer decisão que venha de encontro com aquilo que está estipulado na lei cabo-verdiana e que salvaguarde todos os direitos dos trabalhadores da TACV", afirmou.

Depois do fim dos voos domésticos, a companhia cabo-verdiana vai continuar com as ligações regionais e o Governo está em negociações para privatizar a parte internacional.

O negócio com a Binter tem causado muita polémica em Cabo Verde, com o maior partido da oposição a pedir uma investigação ao Ministério Público por haver "indícios de corrupção" do atual Governo do Movimento para a Democracia (MpD).

O PAICV considera que as suspeições têm a ver com o secretismo à volta do negócio, a recusa do Governo em facultar documentos e informações e a recusa da maioria parlamentar do MpD em permitir criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o negócio.

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