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Uíge aposta nas melhores sementes para voltar em força à produção de café

Logótipo de O Jogo O Jogo 19/08/2017 Administrator

O negócio do café na província angolana do Uíge já envolve quase 9.300 pequenos produtores, com 2.000 toneladas anuais, mas um projeto de apoio técnico garantido pelo Estado poderá aumentar fortemente os níveis de produção nos próximos anos.

De acordo com dados do departamento provincial do Instituto Nacional do Café de Angola (INCA) avançados à Lusa, o Uíge tem em média 1.100 plantas de café por cada hectare, mas que produzem individualmente, também em média, apenas três quilos por cafeeiro, a cada colheita.

"Alguns produzem até menos que isso. É muito pouco", começa por explicar, em conversa com a Lusa, António José, chefe de brigada técnica do INCA no município do Uíge.

Para reverter este cenário, a estação de investigação do Uíge, do INCA, instituto público, tem vindo a selecionar o café-cereja - que fornece a semente -, que localmente garante maior produção, para depois distribuir pelos produtores.

Só em julho último, o INCA distribui mais de 75.000 mudas de plantas de café Robusta Ambriz, com potencial para aumentar fortemente o nível de produção.

"Algumas dessas plantas que estamos a distribuir produzem 10 e até 18 quilos de café, o que é muito bom", acrescenta António José, há quase 40 anos a trabalhar no café, produto que é uma espécie de imagem de marca do Uíge desde o período colonial português.

As plantações de café ainda perduram por todo o país e se Angola retomasse hoje os níveis de produção de 1974 podiam render 450 milhões de euros em exportações anuais, tendo em conta os valores praticados no mercado internacional.

A guerra civil que se seguiu à independência deixou campos ao abandono, muitos transformados em local de combate, e o país perdeu o quarto lugar entre os maiores produtores de café do mundo, então (1974) com quase 250 mil toneladas anuais.

O café produzido no Uíge é por norma comprado por comerciantes de Luanda, para depois ser exportado. Para a colheita de 2017, concluída em meados de julho, os produtores definiram, em reunião realizada 08 de agosto, que a venda terá como preço mínimo 200 kwanzas (um euro) por quilo.

"Não invalida que depois os produtores negoceiem um preço mais alto com os compradores, é um negócio. Mas menos do que isso é que não pode ser", explica António José.

O INCA tem atualmente registados 9.292 pequenos produtores, envolvendo cada fazenda entre cinco a 10 trabalhadores, pelo que o café pode representar no Uíge um emprego para mais de 100.000 pessoas.

Número que Vasco Gonçalves, diretor provincial do INCA, diz ser relevante e não ficar por aqui: "Dos 16 municípios da província, as nossas brigadas do café apenas cobrem oito. Daí que com mais meios e apoios à produção, podíamos aumentar ainda mais os resultados do café".

O responsável, que está também à frente da estação de investigação do INCA no Uíge, responsável por, dentro das limitações financeiras e humanas, apoiar tecnicamente e com novas plantas estes produtores, defende que a organização da produção de café permite um "maior controlo da fauna e da flora".

Nomeadamente por travar a caça ilegal, um dos flagelos da província.

"O café é um diamante que estava guardado e pode ser de facto recuperado", atira Vasco Gonçalves.

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