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Vaticano continuará a julgar executivos que teriam desviado dinheiro de hospital

Logótipo de O Jogo O Jogo 18/07/2017 Administrator

O julgamento de dois antigos responsáveis de uma fundação da Santa Sé acusados de desviar 422.000 euros para uma empresa encarregada da renovação do apartamento do cardeal Tarcisio Bertone começou hoje no Vaticano.

Numa primeira audiência preliminar, hoje de manhã, o tribunal do Vaticano decidiu que continuará a julgar o ex-presidente do hospital pediátrico Bambino Gesù, Giuseppe Profiti, e o seu ex-tesoureiro, Massimo Spina, para esclarecer se desviaram fundos da entidade, gerida pela Santa Sé.

Os advogados de Profiti e Spina haviam recorrido da decisão de julgamento dos dois executivos com o argumento de que o tribunal do Vaticano não tinha jurisdição para julgar as atividades de uma fundação hospitalar localizada na Itália e não no Vaticano.

Mas o presidente do tribunal, o juiz Paolo Papanti-Pelletier, rejeitou hoje o recurso e estabeleceu uma nova ronda de audiências, que acontecerá nos próximos dias 07, 08 e 09 de setembro, devido ao período de férias.

O hospital pediátrico é administrado pelo Vaticano e, alegadamente, cerca de meio milhão de euros teriam sido desviados para uma empresa italiana que teria remodelado o apartamento em que vive o cardeal Tarcisio Bertone, que foi secretário de Estado do Vaticano durante o pontificado de Bento XVI.

Segundo a acusação, Giuseppe Profiti e Massimo Spina são suspeitos de terem "utilizado de forma ilegal e a favor do empresário [Gianantonio] Bandera, dinheiro pertencente à Fundação Bambino Gesù, dinheiro de que podiam dispor devido às funções que detinham".

"Em concreto, foram pagos, para fins totalmente extra institucionais 422.055,16 euros, utilizado para as obras de restauro de um edifício propriedade do Governo do Vaticano e destinado à residência do secretário de Estado emérito [Tarcisio Bertone] e para beneficiar a empresa de Gianantonio Bandera", refere a ordem de envio para julgamento.

O alegado delito, acrescenta, aconteceu na Cidade do Vaticano entre novembro de 2013 e 28 de maio de 2014.

Em março do ano passado, o Vaticano anunciou que tinha sido aberta uma investigação aos dois antigos dirigentes, mas não a Bertone.

O caso começou após a publicação, no semanário italiano L'Espresso, de um artigo que revelava que uma parte da reestruturação do apartamento - uma 'penthouse' luxuosa de 600 metros quadrados mais outros cem metros de terraço, para onde Bertone foi viver depois de deixar de ser secretário de Estado do Vaticano -, foi paga com perto de 400 mil euros dos fundos da Fundação Bambino Gesù, que recolhe donativos para o hospital.

Bertone -- que foi secretário de Estado do Vaticano entre 2006 e 2013 -- afirmou que não tinha conhecimento de onde provinham estas verbas e devolveu depois 150 mil euros ao hospital pediátrico.

O autor do artigo é Emiliano Fittipaldi, que foi julgado e absolvido no Vaticano, há um ano, pela publicação de documentos reservados no seu livro "Avareza".

Entre os documentos revelados, encontram-se a troca de mensagens entre Profiti e Bertone, em novembro de 2013, que demonstrariam que o antigo presidente do hospital oferecia dinheiro ao cardeal através da fundação, e que este agradecia, pelo que tinha conhecimento de onde vinham as verbas.

O advogado de defesa, Michele Gentiloni Silveri, assegurou que Bertone "nunca deu indicação ou autorização à Fundação Bambino Gesù para qualquer pagamento relacionado com o apartamento em que vive, e que é propriedade" do Vaticano.

De acordo com a mesma notícia do L'Espresso, as obras foram faturadas, não à sociedade italiana que realizou o trabalho (Castelli Re), mas a uma empresa britânica (LG Contractor LTd), também controlada por Bandera, um "amigo pessoal" de Bertone, segundo o jornal.

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