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Venezuela: Igreja Católica adverte que Governo se prepara para consolidar a "ditadura"

Logótipo de O Jogo O Jogo 07/07/2017 Administrator

A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) advertiu hoje que o Governo do Presidente Nicolás Maduro se converteu numa "ditadura", que se consolidará pela via da força se houver as eleições para uma Assembleia Constituinte, prevista para 30 de julho.

"A Assembleia Nacional, prevista para o fim de julho, será imposta pela força e os seus resultados vão ser a constitucionalização de uma ditadura militar, socialista, marxista e comunista" disse o presidente da CEV.

Monsenhor Diego Padrón falava, hoje, na sessão de abertura da 108ª assembleia ordinária da CEV, que decorrerá até 12 de julho, em Caracas.

"Como o Governo e os seus porta-vozes têm dito, a Constituinte tratará de fazer uma nova Constituição e dar-lhe um caráter comunal, o que pode entender-se como pôr em prática toda a linha do plano da pátria (programa de governo socialista), ou seja, a causa fundamental de todos os males do país", disse.

Segundo Monsenhor Diego Padrón a proposta de reforma da Constituição feita pelo Presidente Nicolás Maduro permitirá que o atual Governo permaneça no poder de maneira "ilimitada" e anulará poderes públicos como a Assembleia Nacional, onde a oposição detém a maioria.

Explicou ainda que na Venezuela não há um "conflito ideológico entre direitas ou esquerdas" mas a luta de "um povo que clama liberdade" perante um "Governo convertido numa ditadura".

Segundo Monsenhor Diego Padrón o recente ataque de grupos civis armados, afetos ao regime, ocorrido a 5 de julho último contra o parlamento e as agressões a parlamentares opositores, são uma amostra de que o Governo venezuelano não pretende deixar de usar métodos violentos.

"O que aconteceu na Assembleia Nacional foi uma ação criminosa e demencial. Esse ataque demonstra que o Governo não quer abandonar a violência", disse.

Entretanto a Igreja Católica autorizou a oposição venezuelana a usar espaços paroquiais do país, com exceção dos templos religiosos, para realizar, a 16 de julho, um plebiscito sobre se os venezuelanos aprovam a proposta de Constituinte, exigir que as Forças Armadas defendam a Constituição de 1999 e que apoiem as decisões do parlamento.

Também advogam a renovação dos poderes públicos, a realização de eleições livres e transparentes, assim como a formação de um governo de união nacional para restituir a ordem constitucional.

Na Venezuela, as manifestações a favor e contra o Presidente Nicolás Maduro intensificaram-se desde 01 de abril último, depois de o Supremo Tribunal de Justiça divulgar duas sentenças que limitavam a imunidade parlamentar e em que aquele organismo assumia as funções do parlamento. Pelo menos 91 pessoas morreram em confrontos.

Entre queixas sobre o aumento da repressão, os opositores manifestam-se ainda contra a convocatória de uma Assembleia Constituinte, feita a 01 de maio último pelo Presidente Nicolás Maduro.

A oposição insiste que a Constituinte acabará com os restos de democracia que existe no país e que será usada pelo Governo para submeter aos interesses cubanos e avançar com um regime comunista ao estilo de Cuba.

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